É de Henri Matisse, artista francês,  a frase “é preciso olhar o mundo com os olhos de uma criança”.

Matisse fazia uso dessa frase para dizer que o olhar do artista deveria ser puro como o de uma criança, pois quanto mais puro, mais original, criativo e expressivo seria o artista e, consequentemente, sua obra.

olhar de criança
Fonte: libreshot.com

Essa frase sempre esteve comigo desde que a ouvi, ainda na época da faculdade (sim, eu sei que faz tempo, não precisam me lembrar disso! hehe). Mas só ao longo dos anos é que ela foi ganhando novos significados e sempre que me deparo com uma situação de encantamento, reflito “estou vendo com os olhos de uma criança!”.

É da criança o olhar puro, de admiração, de surpresa, de encantamento.

É esse ver com os olhos de uma criança que nos permite enxergar, ou seja, ir além do que é a reação física projetada pelos olhos em nosso cérebro. É esse olhar que faz com que tudo ganhe mais significado.

As viagens e o nosso olhar

As viagens são uma excelente maneira de treinar esse “olhar de criança”, pois os olhos saem da rotina. E quanto mais infantil, mais puro, livre de pré-conceitos e carregado de encantamento, melhor será!

Alguma vez você já se pegou literalmente abrindo a boca de admiração perante uma paisagem, um lugar, uma obra?

Alguma vez você já balbuciou sozinho um “uau”?

Alguma vez você já se emocionou com  algo que viu?

Quantas vezes você já admirou a grandeza da beleza de paisagens e se sentiu pequeno?

Quantas vezes você já se encantou com a habilidade do homem em criar arquiteturas, projetos e obras e sorriu admirado?

Quantas vezes, ao visitar um lugar de cultura muito diferente da sua, você não julgou como “errado”, “primitivo” ou “ignorante” a postura daquele povo / lugar e apenas compreendeu que era tão somente um jeito de viver diferente do seu?

Se você respondeu sim a maioria das perguntas, parabéns, você faz parte dos que buscam enxergar com olhos de criança!

As vantagens de desenvolver esse olhar

Se você não respondeu sim às perguntas anteriores, aqui vai um consolo: nunca é tarde para começar!

Comece despindo-se de pré-conceitos, despindo-se da posição autocêntrica, parando para contemplar e olhar além do que vê de imediato e você estará no caminho certo.

Comece pequeno, pela sua casa, pela sua rua, pelo seu bairro. Comece reparando nas flores dos jardins. Comece procurando nas árvores os pássaros que você escuta cantar. Comece olhando o céu, olhando a lua, olhando o sol. Ao invés de reclamar que está no trânsito voltando para casa, olhe para o horizonte e admire o pôr do sol. Sorria mais, pois o olhar também sabe sorrir!

Aos poucos seus olhos vão perder as travas, vão ficar mais livres e menos tímidos para explorar. Aos poucos os seus olhos voltarão a ser os olhos da sua infância e esse exercício trará a eles – e à sua vida – um novo brilho. Aos poucos o encantamento chegará e seu coração se encherá de contentamento. E esse encantamento te fará mais feliz, pois como dizem os yoguis, é esse o estado de Santosha, que pode ser traduzido como estado de felicidade, de paz interior.

Experimente e seja feliz!

A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam… Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.
Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras.

Rubem Alves. “A complicada arte de ver”

 

 

Daniela Nogueira

Daniela Nogueira

Sou educadora da rede pública, mas é nas viagens que me realizo. Esse bichinho sempre esteve comigo, mas precisou que um ex namorado o alimentasse e foi com ele que aprendi a “conhecer o mundo”. Como todo pé na bunda te empurra pra frente, foi nessa situação que comecei a viajar sozinha, e nunca mais parei! Hoje já pisei nos cinco continentes e fiz roteiros que antigamente eram impensáveis. Os planos para o futuro? Dominar o mundo!
Daniela Nogueira

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Ver com olhos de criança

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