Visitar um campo de concentração foi uma das coisas mais difíceis que fiz em uma viagem. É o tipo de passeio que você sai destruído, mas ao mesmo tempo é essencial fazer. Digo isso porque visitar um lugar assim nos faz aumentar a capacidade de empatia, sentimento tão difícil nos dias atuais.

Sachsenhause foi um campo de concentração nos arredores de Berlim que funcionou entre os anos de 1936 e 1945. Posteriormente também serviu como prisão soviética, com o fim da guerra.

“O trabalho liberta”. Esta era a mensagem no portão de entrada de Sachsenhause.

Hoje o lugar é um memorial e podemos conhecer os horrores da segunda guerra mundial e a perseguição a judeus, negros, ciganos, entre outros. Um lugar que ainda conserva um ar mórbido e pesado. Por vezes senti o cheiro de morte… Uma sensação difícil de ser explicada.

Um dos prédios do campo.
Paredes sombrias.
Sachsenhause
Lugar de tortura.

Ali foi um campo de trabalho forçado e não de extermínio. Mas as condições de vida eram tão desumanas, que milhares de pessoas não resistiram. Era o campo modelo e “menina dos olhos” de Hitler, por isso o policial responsável por Sachsenhause e que “fizesse um bom trabalho” era promovido para outro campo maior. Surreal.

Foto da época.

A visita acontece em todo o terreno onde o campo estava localizado e podemos percorrer as construções que ainda permanecem como naquele tempo: alojamentos, enfermarias, prisão e parte de um crematório. Além de trabalho forçado, pessoas foram submetidas a experimentos médicos, condição que também levou milhares à morte.  🙁

Prontuário dos que eram submetidos a experimentos médicos.
Um dos pavilhões que ainda permanecem no local.
Sachsenhause.
Torre de vigilância.

Visitei o campo em pleno outono alemão e senti muito frio, especialmente naqueles gélidos dormitórios e instalações. Os prisioneiros se alimentavam basicamente de sopa de batata e pão. Quando sofriam algum castigo só tinham direito a comida quente a cada dois dias.

As camas não eram suficientes para todos. Era comum ao amanhecer encontrar pessoas mortas em função do frio, desnutrição… Um horror que a Alemanha transformou em lembrança, um lugar para o passado não ficar esquecido. Essencial para que não volte a nos assombrar. Há várias menções às pessoas que passaram por ali. Fiquei com a lembrança daqueles rostos e das vidas destruídas de maneira tão violenta.

A prisão, como se o fato de ser enviado para ali já não era uma prisão. Além dos quartos, havia as celas para aqueles que eram ainda mais castigados.
Cela.
Banheiro.

Sachsenhause  é um convite para se pensar no mundo de ontem e de hoje e, principalmente, naquele que queremos para o futuro. A Alemanha tem um passado horrível, mas se esforça para que ele não se repita. Se envergonha do que já passou, mas põe o dedo na ferida e conta para as gerações futuras os horrores daquela época.

Sachsenhause.
Algumas das milhares de pessoas que passaram por ali.
Por todos os cantos homenagens.

Se estiver em Berlim, você chega facilmente em Sachsenhause por meio de trem. O campo fica na cidade de Oranienburg. A entrada é gratuita e só pagamos pelo audioguia. Em outubro de 2017, custou três euros.

 

Luciana Almeida

Luciana Almeida

Sou uma carioca nômade. Adoro sentir o frio na barriga de conhecer um lugar novo.Assistente social de formação e viajante compulsiva nas horas vagas, meu objetivo é colecionar histórias e boas memórias de lugares, pessoas e culturas. Quero me jogar nos destinos e sonho com uma volta ao mundo. Viajar pode ser sozinha ou acompanhada, e o lugar pode ser qualquer lugar no globo. Afinal, o que importa é viajar cada vez mais.
Luciana Almeida

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Sachsenhause: minha visita a um campo de concentração

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