Piores companheiros de viagem
İmagem: wordsinthekeyoflife.com

Viajar é pegar aqueles sagrados dias de férias, que o calendário insite em manter bem distante de você, o dinheiro que você guardou para esse fim, a mala, e partir para a tão sonhada jornada. Perfeito, né? Sim, mas pode deixar de ser quando, além de uma mala de roupas, você tem também um mala como companheiro.

Ai você pergunta: “Mas por que você levou o mala para a viagem?”

A resposta vem acompanhada por uma triste e preocupante constatação, nem sempre aquela pessoa mostra o seu lado mala de ser, até a viagem começar. Como diriam os mais sábios: quer conhecer uma pessoa a fundo? Viaje com ela! Pode ser mais desgastante que um casamento.

Eu já vi amizades que acabaram depois, e durante, uma viagem. Por isso resolvi relatar os típicos casos que costumam assombrar as nossas viagens.

Os piores companheiros de viagem (e algumas dicas de como se livrar deles):

Mala “Tira uma foto minha?”

Em tempos de redes sociais, esses tipos se proliferaram como Gremlins. Não basta tirar a foto, você vai ter que repetir o clique quantas vezes forem necessárias até aquela pose vou-arrasar-no-Facebook ficar perfeita. E quanto mais exótica for a pose, mais cliques serão. O sol já se pôs e você segue lá esperando a pose de yoga, que ele nunca praticou mas acha cool, ficar perfeita.

Solução para manter a amizade: Que tal um pau de selfie de presente de viagem? Ou um tripé?

Mala shopaholic

A desculpa está sempre na ponta da língua “ah, tudo no Brasil é muito caro, preciso aproveitar para comprar quando viajo”. Ótimo, concordo e também adoro uma loja, mas que tal separar os momentos para isso? O mala ganha esse status quando quer comprar o tempo todo e não que ir sozinho, porque precisa da sua opinião. Além disso, normalmente gasta mais do que devia e pede para encher a sua mala de coisas, porque obviamente a dele já está cheia.

E ganha o troféu mala do ano aquele que não experimenta as compras e quer voltar na loja para trocar. Ou pior, usa as roupas para causar nas fotos e quer ir trocar depois.

Aconteceu comigo:  Século passado, uma excursão da CVC para os Lagos Andinos, com companheiros de viagem escolhidos pela roleta da sorte do destino. Uma das integrantes do grupo, tentada pelas ofertas imperdíveis do duty free, não resistiu e comprou uma TV em Guarulhos. İsso mesmo, uma TV! Por algum motivo a compra não pode ser concluída com o cartão de crédito, e ela pagou o valor em dinheiro, parte da verba reservada para os próximos 15 dias de viagem. Em Santiago, onde a viagem começou, tudo correu bem, cartão de crédito é amplamente aceito. O problema começou quando a viagem seguiu para o sul do Chile e em direção aos lagos.

No aceptamos tarjeta, solo pagos en efectivo, señora.

A solução, pedir dinheiro para os companheiros de viagem, até chegar em Buenos Aires onde ela conseguiria receber um dinheiro que a família enviou.

Mala “sou assim e não vou mudar”

Quando viajamos para a casa dos outros, temos que aceitar as regras deles, certo? Princípio básico do respeito. O problema é quando o mala não entende isso.

Você leva o mala para uma praia onde o topless é comum, e a cada peito ele aponta e grita “Olha, peitos!” Você entra numa igreja com afrescos de 1233 cheia de placas de proibido fotografar. E o mala? Saca a câmera com flash e tudo, e ainda reclama que a regra é uma besteira, uma foto não vai derreter o afresco. Querido, você não é o único espécie da raça de piores companheiros de viagem do mundo.

O problema aqui acontece quando essas violações coloca a segurança da viagem em risco. Quando você viaja para um destino mais distante da sua realidade, é preciso estudar as regras de conduta, e respeitar. Entrar de bermuda num shopping em Dubai é proibido, e pode gritar, ameaçar chamar o cônsul, regra é regra.

Quando eu fui para o İrã, pesquisei bem sobre a questão das vestimentas e a obrigação do véu. Fiz o dever de casa, levei os lenços e até comprei roupas apropriadas. Minha companheira de viagem (beijos, Maiza!) também seguiu direitinho, foi tudo lindo.

Os piores companheiros de viagem
Empolgadaça comprando uma abaya para ir para o İrã #loka

İnspirada na minha viagem, uma amiga resolveu fazer o mesmo roteiro, e convidou uma amiga, que achou o máximo do exotismo ir para o İrã e topou na hora. Empolgação total de começo de viagem, que durou até a pessoa abrir a mala para o primeiro tour país. A mala estava cheia de shorts e vestidos frescos…É verão, gente.

Pode ser verão, mas não é o verão de Londres ou do Rio. E pior que levar essa mala, é afirmar que não vai mudar seu jeito e se tapar toda só porque o país é atrasado assim. Eu deportaria…

Mala “irmão siâmes”

Acontece quando, depois de alguns dias de viagem, e tendo provado todo tipo de comida local, bate aquela vontade de comer no Mc Donald’s, e seu companheiro de viagem quer provar as maravilhosas endívias recheadas de um restaurante de prato único. Cada um vai para um lugar, certo?

Não, o mala irmão siâmes não quer ir sozinho, porque vocês viajaram juntos para curtir juntos. Curtir endívias? Quem consegue?

O mesmo vale para aquele show de jazz de três cordas que você acha um saco, e o bungee jump que te aterroriza. E inclua aqui também aquele companheiro que quer acordar todos os dias ao meio dia e reclama que você não ficou esperando ele no quarto.

A solução: Conversem antes sobre as intenções de ambos, verifique a capacidade de se virar sozinho do seu companheiro e esclareça tudo o que você não vai fazer durante a viagem. Combinado não sai caro!

Mala natureba

Ser saudável é ótimo, sustentável e reciclável melhor ainda. Mas bom senso é necessário. Vai ser difícil seguir uma dieta lacto-vegana-orgânica-benzida num lugar que você não conhece. Até que o mala encontra um restaurante perfeito, que segue toda a cartilha halal hare krishna de alimentação  e precisa ir nele todos os dias. Ótimo, se você não estivesse viajando com um viciado em bacon  que nunca ouviu falar no odor canforado do cardamomo.

Você não precisa deixar o seu amigo fazer todas as refeições sozinho, mas também não é obrigado a segui-lo, muito menos a sua dieta. Se a questão é uma restrição alimentar, é compreensível e é preciso cautela mesmo, ninguém vai querer um companheiro de viagem doente. Mas se a questão é uma dieta da moda ou uma resolução de ano novo, vamos procurar o equilíbiro, né?

Brincadeiras a parte, a intenção aqui é mostrar que tudo em exagero é prejudicial. Ceder faz parte da vida, principalmente em uma situação que envolve pessoas e interesses diferentes juntas por muitos dias. Equilíbiro é tudo!

E, se não der certo, vale o ditado: Antes só do que mal acompanhada.

Percorreu a sua lista de amigos e percebeu que só tem típicos piores companheiros de viagem? Use as nossas dicas de como viajar sozinha, leia mais aqui.

Karina Ferraz

Karina Ferraz

Nasci no Rio de Janeiro, quis ser aeromoça, mas escolhi a arquitetura, paixão que me fez querer ver o mundo. Mundo esse que me levou até a Turquia, que resolvi chamar de casa e onde vivo há 3 anos. A arquitetura entrou de férias, surgiu a agente de viagens, que vive de organizar viagens para os outros e principalmente, para si mesma. Afinal, morar no centro do mundo faz tudo parecer mais perto.
Karina Ferraz

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