Casal em um templo

Pode ser bem clichê o que vou escrever, mas não tem como fugir do tema quando o assunto é a minha experiência no Myanmar. Sou uma viajante compulsiva, mas que tive este desejo despertado há poucos anos. Ir para Ásia sempre foi uma coisa muito distante da minha realidade e quando pensava no continente, sempre vinha à minha mente países como Japão, China e Tailândia.

Foi exatamente no sonho de conhecer a Tailândia que o Myanmar entrou no meu roteiro, sem muitas pretensões. Sabe aquela coisa: “Vou para Tailândia e lá é tão longe, por que não coloco outro País no roteiro”?

Como o tempo era curto, reservei apenas três dias para a capital do País, Yangon.

E é aqui que começa a parte clichê desse texto. Se a Tailândia foi uma experiência sem igual, Yangon foi além. Uma cultura completamente diferente da minha, uma sensação permanente de que estava fora da minha zona de conforto e o contato com pessoas que, embora completamente diferentes de mim, foram hospitaleiras e simpáticas.

Era novembro de 2016 e o calor era surreal até para uma carioca como eu. Nunca tinha visto coisa igual. Aos poucos fui me deparando com um País budista e que em todos os cantos eu topava com um monge ou templo. Os monges são o destaque, pois é muito comum vê-los pelas ruas pedindo doações de comida e até de dinheiro. No período da manhã vemos vários pelas ruas carregando cestos e pedindo doações.

A calma invadiu meu coração <3
Monge
Monge e a vida tranquila que nos inspira

Os templos foram o que mais tocaram meu coração e acho que até hoje guardo na memória o arrepio que senti quando pisei no Shwedagon Pagode. Se na Tailândia tive a impressão de que os templos de Bangkok estão “contaminados” pelo excesso de turismo, em Yangon senti uma energia indescritível quando tive contato com aquele povo nos templos.

Imagens lindas que não saem da minha memória
Um calor absurdo e as pessoas conectadas em uma paz indescritível.
Vi várias cenas como esta: pessoas dando “banho” no Buda.
Banhando o Buda.

O Shwedagon Pagode é um dos principais do País e eu fiquei completamente impressionada pela sua magnitude e o dourado em contraste com o céu azul. O local estava bem cheio no dia da minha visita e me emocionei em me deparar com aquele povo extremamente crédulo e conectado a uma paz que nunca tinha sentido antes. Inevitável não comparar com a minha realidade de estresse, violência, vida corrida e sem tempo para o cuidado com a mente. Myanmar é um País ainda muito fechado economicamente e pobre, mas tão diferente da nossa pobreza contaminada pelas mazelas da questão social.

Shwedagon Pagode
Dourado e azul. Que contraste inesquecível!
Eu fiquei em paz, fato!
Inesquecível estar no Shwedagon Pagode
Shwedagon Pagode

Ainda estive nos templos Sule Pagode e chaukhtatgyi – este último onde fica o Buda deitado.

Buda deitado
Templo onde fica o buda deitado
Sule Pagode
Sule Pagode
Sule Pagode
Sule Pagode
Sule Pagode

A cultura do Myanmar também nos reserva muitas surpresas como as roupas lindas e coloridas das mulheres (especialmente as saias), impossível sair daquele lugar sem comprar muitos panos! Os homens se vestem com um pano, espécie de saia, que se chama longyi. Usam a vestimenta no uniforme escolar, no dia-a-dia e até para jogar futebol.

Saias coloridas e lindas!
Longyi para ir a escola
Longyi para bater uma bola!

As mulheres usam um pó esbranquiçado no rosto, chamado thanaka, que serve para proteger a pele do forte Sol. A thanaka é extraída de uma planta e é um “filtro solar” natural. Elas fazem vários desenhos no rosto com o pó sobressalente. É um País diferente em todos os apectos! <3

Os homens possuem por hábito mascar a semente da palmeira areca, uma “gororoba” que produz uma saliva extremamente vermelha e deixa a boca completamente manchada e com a impressão de acabaram de levar um soco… Sem contar que eles cospem a saliva vermelha no chão e é fácil identificar várias manchas vermelhas por todos os cantos.

Por conta do calor absurdo, faz parte da paisagem se deparar com bebedouros e canecas comunitárias. Super normal encher a caneca que todo mundo encostou a boca e dar uma golada na água!

A vigilância sanitária pira!

 

O trânsito é caótico, muitos engarrafamentos com ônibus caindo aos pedaços, mas ninguém buzina!

Cadê o farol?
Ruas cheias de gente e trânsito confuso.
Saudades do transporte coletivo brasileiro.

A comida foi o ponto que me fez sofrer, literalmente. Meu paladar não “ornou” com a comida típica de lá, sobretudo com o tempero. Foram dias difíceis à base de sorvete e coca-cola. RS

Mas o Myanmar me ensinou tanto! Aprendi a contemplar o diferente, a abrir minha cabeça para uma vida diferente. Deparei-me com pessoas extremamente gentis e que carregavam uma pureza no coração.

Texto clichê, mas sincero em seu conteúdo. Um lugar para eu lembrar sempre e que me faz ser muito grata pela oportunidade de conhecê-lo. Uma dica pra você que vai para a Ásia: se joga no Myanmar!

Como esquecer?

 

 

 

 

 

 

 

Luciana Almeida

Luciana Almeida

Sou uma carioca nômade. Adoro sentir o frio na barriga de conhecer um lugar novo.Assistente social de formação e viajante compulsiva nas horas vagas, meu objetivo é colecionar histórias e boas memórias de lugares, pessoas e culturas. Quero me jogar nos destinos e sonho com uma volta ao mundo. Viajar pode ser sozinha ou acompanhada, e o lugar pode ser qualquer lugar no globo. Afinal, o que importa é viajar cada vez mais.
Luciana Almeida

Share This:

O que o Myanmar me ensinou

Comentários

comentários