Perrengue na imigração por causa do Pablo.

Viajar nem sempre é sinônimo de alegrias infinitas e um roteiro redondinho do início ao fim. Quanto mais saímos de perto da nossa rotina e zona de conforto, mais nos expomos com situações que podem surgir para testar a nossa resistência e capacidade de resolver os “pepinos” que vão aparecendo.

Já contei aqui sobre a minha primeira viagem para Europa e a frustração de encarar um vulcão na Islândia que fechou todos os aeroportos europeus e me impediu de conhecer a itália naquela oportunidade. Em novembro de 2016 chegava a vez de realizar meu grande sonho até então: viajar para a Ásia e conhecer a Tailândia! Por sorte a viagem foi ótima, mas o seu começo foi “um tanto preocupante”. Meu roteiro era São Paulo – Milão – Zurich – Bangkok. Depois de ir três vezes para a Itália, sendo duas sozinha, nunca achei que teria problemas no meu País queridinho…

Tudo começou com o voo em Guarulhos que estava marcado para sair às 22h, mas que só decolou quase duas da manhã. O motivo? O piloto falou, de forma bastante tranquila, que os computadores da aeronave tinham sofrido uma pane e seria necessário um “reset geral” para decolarmos! Confesso que cheguei a pensar em desistir daquele voo, afinal não estava muito segura de permanecer ali por mais onze horas e com medo de outra pane! 😐

Por conta do enorme atraso perdi o voo para Zurich e, consequentemente, o que iria pegar no aeroporto de lá para Bangkok. Uma funcionária da TAM esperava por mim e minha amiga para entregar nossas novas passagens e passar as orientações sobre os horários dos novos voos. Éramos as únicas daquele voo que teríamos destino final Bangkok.

 Chamamos a atenção da polícia italiana. Afinal, o que duas mulheres sozinhas estariam indo fazer em Bangkok? Levar drogas! É claro!

Não… Nós estávamos indo a passeio e só queríamos curtir uma praia e ver templos budistas. Mas os policiais não se contentaram em olhar nosso passaporte, imediatamente informaram que iriam revistar a nossa mala e foram nos escoltando até a esteira onde as bagagens seriam entregues. Constrangimento total, éramos as únicas com policiais a espreita na esteira… Eu só rezava para que minha mala não tivesse sido violada e magicamente surgisse algo que não era meu. Quando a minha mala apontou, tive a certeza de que nada é tão ruim que não possa ser piorado… Minha mala estava completamente destruída. Com as rodas e o puxador quebrados, sem possibilidade alguma de arrastá-la. 😐

Fomos gentilmente conduzidas para que passassem o “pente fino” na gente. Minha amiga ficou com uma policial e eu com um policial em uma sala separada. Entrei no local e ele pediu para abrir a minha mala e emendou com duas perguntas: “Quantos dias você irá ficar?  Por que escolheu viajar para Bangkok?” Respondi que ficaria vinte dias e ele questionou o tamanho da minha mala. Achou muito pequena para a quantidade de dias e indagou sobre o número de peças de roupas que eu levava. Oi?!?! Eu posso com isso?!

Ele me fez várias perguntas sobre a viagem e não se contetava em me ouvir dizer que eu queria conhecer as praias da Tailândia. Me confrontou dizendo que o Brasil tinha praias bonitas e por que eu viajava para tão longe. Oi?! Como assim?! Enfim, ele olhou toda a minha mala e vouchers que comprovavam minhas reservas de hotéis e voos internos na Tailândia. Perguntou sobre meu trabalho, onde morava, se já conhecia a Europa e até do impeachment da Dilma ele falou. Zzzzzz 🙁

Claro que ele não achou nada, pois eu realmente falava a verdade. No entanto, eu carregava uma mochila e a esta altura já estávamos quase amigos. Eu já tinha contado minha vida toda para ele… Para desencargo da consciência dele, já muito sem graça, ele pediu para olhar a minha mochila. Tudo certo até abrir o último bolso e se deparar com a minha literatura de viagem: a biografia do Pablo Escobar.  hehhehehe  Estava ali a cara estampada do maior narcotraficante da história. E eu só me perguntava: Luciana, por que você não seguiu o conselho de sua amiga e comprou o E-book?? rs

O policial falou em voz alta e com tom de espanto: “Pablo Escobar”!!! Eu sorri amarelo e disse: “Mas eu não falei que era assistente social”? “Preciso saber sobre o impacto do tráfico na questão social”! Ele sorriu e me disse: “Pode ir embora”. E ainda ganhei um pedido de desculpas e a justificativa para ação.  Disse que Milão era rota para o tráfico em Bangkok e que desconfiaram do fato de duas mulheres estarem viajando para lá e sozinhas. Éramos potenciais “mulas”. Afff que derrota! 😐

Liga não policial… Somos apenas mulheres independentes que viajam e não esperamos a companhia de um namorado ou marido para poder viajar. Desculpa aí!

Este foi meu único imprevisto na Tailândia. A viagem foi linda  eu realizei meu sonho de conhecer Maya Bay. Enfim, mais uma história para contar e com final feliz!  <3

Maya Bay é muito amor!
Luciana Almeida

Luciana Almeida

Sou uma carioca nômade. Adoro sentir o frio na barriga de conhecer um lugar novo.Assistente social de formação e viajante compulsiva nas horas vagas, meu objetivo é colecionar histórias e boas memórias de lugares, pessoas e culturas. Quero me jogar nos destinos e sonho com uma volta ao mundo. Viajar pode ser sozinha ou acompanhada, e o lugar pode ser qualquer lugar no globo. Afinal, o que importa é viajar cada vez mais.
Luciana Almeida

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O dia que Pablo Escobar quase impediu a minha viagem.

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