mulheres assédio viagens
As mulheres e o chador em Teerã.

Eu levanto a bandeira das viagens solo, acho que uma oportunidade de viagem nunca deve ser desperdiçada e, se não tiver companhia para ir, porque não ir sozinha mesmo? Às vezes a companhia até existe, mas o companheiro (a) disponível não quer ir pro Congo com você. Paciência, o jeito é curtir a própria companhia. Mas e o assédio?

Muito se fala sobre os perigos de peregrinar sozinha por aí, e o mais comum é sobre o assédio e os riscos de estupro. “Sozinha? Ah, está procurando problemas!” Mas as pessoas esquecem que o assédio acontece na porta de casa, os olhares cobiçadores estão no caminho do trabalho, o “fiu fiu” está na volta da academia. Mas não vou entrar nesse assunto, que rende páginas e páginas, a questão a ser discutida aqui hoje é o assédio em viagens, onde as chances podem ser potencializadas, ou não.

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Tentando manter o lenço no lugar certo, no İrã.

Não me acho especialista, porque se tem uma coisa que não somos nesse vida é especialista em nada, doutorados em coisa nenhuma. Mas, tendo passado por alguns dos países membros da taradolândia, e na maioria das vezes sozinha, posso dizer o que observei, o que funciona pra mim e o que pode trazer problemas. E pode ajudar você também.

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Dubai em pleno verão. Derreti, mas não tive problema nenhum.

Jordânia, Egito, Dubai, Qatar, Turquia, Índia, Malásia, os campeões da minha lista, foram os locais onde me senti mais suscetível, mais observada. Levei cantada no Canadá, no Irã? Sim, mas numa frequência infinitamente menor. É cultural, é normal? Infelizmente sim, estamos falando de sociedades masculinas, onde as mulheres majoritariamente ficam em casa cuidando da família enquanto os homens estão fora, trabalhando, determinando as regras da sociedade. É muito homem na rua, sempre. E chega você, ocidental demais, livre demais, cabelos ao vento, vai chamar a atenção, não tem jeito. Dá pra evitar? Minimizar é possível sim, evitar, na minha experiência, eu digo que é quase impossível, a não ser que você adote uma abaya ou uma burqa e tente passar despercebida. Mas aquela reboladinha ainda pode te entregar.

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Índia: apesar da quantidade de tarados por m², uma viagem tranquila.

A chave para o sucesso, na minha opinião, é simples: chame o menos possível de atenção. Mostre menos e serás menos importunada, meu mantra. Vista-se moderadamente, prefira roupas mais largas, menos marcantes. Aquele conjunto de top e calça de academia? Deixe em casa para esse propósito.  Cubra os ombros, joelhos, o colo, o máximo de pele próxima aos seus “pontos focais” que você puder. Outra escolha simples que faz muita diferença, prenda os cabelos, meu dia foi mais tranquilo em Petra quando eu lembrei disso. Pode parecer bobo, mas os detalhes fazem a diferença. E uma viagem tranquila, é uma viagem feliz.

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Kathmandu, Nepal

Uma outra regra, quanto mais turístico o local for, mas as pessoas estarão acostumada aos nossos modos, mas isso não significa que estarão preparados para aceitar todo esse “avanço”. Quanto mais turístico for um local, maior será a quantidade de homens esperando os seus atributos. Confundiu tudo? A regra é simples, pesquise o destino, os costumes e as normas de conduta. Na dúvida, não ouse. Encontre a medida certa da simpatia, sorria, seja simpática mas recue e seja firme se o retorno for amistoso demais.

Encontrar o amor da vida em uma viagem é possível? Sim, claro, mas se aquele cara chega em você como um polvo e salivando por sexo, as chances dele ser o amor da sua vida são bem pequenas, concorda? Divirta-se, mas não se iluda.

E a regra que serve para qualquer lugar, não faça o que você não faria na sua cidade:

Andar à noite por ruas escuras, sozinha? Sair para beber sozinha e exceder a quantidade de chopps? Aceitar o convite de um carinha do ônibus para uma festa que você não sabe onde é e não conhece ninguém? Não, não e não. Se você não considera seguro fazer isso em casa, por que em uma viagem seria?

Bom senso, é o primeiro item que deve entrar na sua mala. Viaje, relaxe e divirta-se, mas sempre atenta.

Karina Ferraz

Karina Ferraz

Nasci no Rio de Janeiro, quis ser aeromoça, mas escolhi a arquitetura, paixão que me fez querer ver o mundo. Mundo esse que me levou até a Turquia, que resolvi chamar de casa e onde vivo há 3 anos. A arquitetura entrou de férias, surgiu a agente de viagens, que vive de organizar viagens para os outros e principalmente, para si mesma. Afinal, morar no centro do mundo faz tudo parecer mais perto.
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