Quando adolescente nunca gostei da disciplina História. Para mim era um sofrimento estudar aquela matéria morta, pautada em livros didáticos pouco atrativos e em decoreba vazia de datas e nomes (sempre fui péssima para isso!).

Mas eu cresci, amadureci e pude descobrir, felizmente, que a História é um lance muito interessante quando ela é viva e vivida por nós. De tal forma que hoje, adoro viajar para lugares que possam me possibilitar esse tipo de vivência.

Em termos de história o México é um destino riquíssimo! É tanta coisa para visitar que o país já entrou na lista dos lugares a retornar um dia. Admiro povos que sabem valorizar sua trajetória, que não acham que “passado” é algo velho e que deve ser ignorado, e que o usam sim como base sólida para alicerçar o crescimento da nova cultura. Não tive a oportunidade de conversar com locais sobre essa questão, mas essa valorização é uma coisa que senti nos dias que lá estive.

Se como eu, você também se encanta com histórias e culturas diferentes da nossa, que sempre agregam aos conhecimentos pessoais, seja bem-vindo!

Em tempo, antes de começar, faço a advertência de que o conteúdo a seguir é fruto de uma escrita leiga, baseada no que aprendi no local. Não tenho formação na área e portanto, perdoem-me os especialistas se eu cometer algum equívoco…

Para começar nossa “aula”, vamos desfazer um engano bastante recorrente: maias e astecas são civilizações diferentes. Explicando de maneira bem simplificada, os maias são mais antigos que os astecas, e fazem parte das primeiras civilizações da América, com registros que datam, aproximadamente, de 2.000 a.C. A civilização maia deixou registros também na Guatemala, El Salvador, Belize e Honduras, países que compõe a América Central. Já os astecas são mais contemporâneos (mais ou menos século XIV) e se firmaram, territorialmente falando, na região da Cidade do México. Também existem os olmecas e outras etnias menores, mas não vamos falar deles não…

Nos dias que percorri o país visitei alguns dos principais sítios arqueológicos mexicanos, que são:

1. Chichén Itzá: uma enorme área que fica na Península de Yucatán e que é acessada facilmente a partir de Cancún ou Playa del Carmen. Muitas pessoas, como eu, contratam agências para fazer o tour até a região, pois é uma maneira mais simples de percorrer a longa distância até lá e ainda ter um guia (se você for de carro, não se preocupe pois lá existe a oferta dessse serviço). Chichén Itzá é uma antiga cidade cerimonial maia que está listada no Patrimônio Mundial da UNESCO e também é reconhecida como uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno. A área aberta para visitação inclui como pontos principais a Pirâmide de Kukulcán, o Templo de Chac Mool, a Praça das Mil Colunas e o Campo do Jogo de Pelotas.

piramide-de-kukulcan

Na Pirâmide de Kukulcán ficamos impressionados com a arquitetura. É grandioso demais! Os patamares, os degraus e as faces formam um conjunto numérico que tem relação com o calendário maia. Outra coisa impressionante é que em frente às escadarias, ao batermos palmas, o eco provoca um som que dizem se assemelhar ao canto do Quetzoal, ave sagrada para a mitologia maia. Também nos equinócios de primavera e outono, a sombra que se projeta nas escadas faz o movimento de uma cobra descendo os degraus (não pude presenciar, mas dizem que é até televisionado e que é disputadíssimo assistir a isso). Essa aritmética toda dá provas do enorme cabedal matemático e astrológico dessa civilização. E isso tudo sem lunetas, sem calculadoras científicas, sem Google para pesquisar! No espaço de Chichén Itzá existe também um observatório, que pelo visto, foi muito bem utilizado.

observatorio

Em Chichén Itzá também está o maior campo do Jogo de Pelotas, um jogo misto de entretenimento e função ritual. De forma resumida o objetivo do jogo consistia em passar a bola (de borracha, dura e com peso aproximado de 2kg!) pelo aro que se encontrava nas paredes. O que acontecia com os perdedores do jogo? Eram decapitados!

jogo-de-pelotas

2. Tulum: facilmente acessada a partir de Playa del Carmen, Tulum em maia significa “muro, parede”. Essa é portanto a cidade amuralhada dos maias. É também o único sítio arqueológico à beira mar e o conjunto das ruínas com o oceano torna o cenário muito fotogênico. A localização geográfica fez de Tulum um grande porto comercial. O sítio é relativamente pequeno e merecem destaque as seguintes edificações:

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Tempo do Deus Vento: estrategicamente localizado onde o “vento faz a curva”, a base desse pequeno templo é arredondada que é para oferecer menos resistência ao deus, que sopra em todas as direções. Essa arquitetura arredondada não é comum nas construções maias, sendo uma particularidade dos templos dedicados ao Deus Ehécatl.

casa-cenote

Casa do Cenote: como a região de Yucatán sofre com a falta de água potável, era muito comum aos da elite terem suas casas próximas de fontes de água doce. Vale destacar que a água doce é praticamente inexistente em forma de rios. Os cenotes, grandes aquíferos, são os responsáveis pelo abastecimento de água de toda região.

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Castelo: junto com o Tempo do Deus Descendente, é a principal construção do local. A construção em forma piramidal, típica da civilização maia, era um importante ponto de observação para os que navegavam por ali, funcionando como uma espécie de farol marítimo. As paredes do desse conjunto eram todas coloridas, pintadas com afrescos, que ainda podem ser observados em um ou outro ponto dos entalhes. A composição do Castelo com o mar é o melhor ângulo do local! <3

3. Palenque: é um destino que não entra no roteiro de todos os viajantes pela questão do acesso. É uma cidade que se localiza a cerca de 14 horas de ônibus da Cidade do México. Você pode me perguntar se não rola ir de avião e eu respondo: até dá, mas por se tratar de um aeroporto pequeno, não tem voos em todos os dias da semana e o preço é bem elevado. O jeito é ir de Ado (comprando a passagem diretamente no México pois o site não aceita compra com cartão de crédito estrangeiro) e enfrentar as longas horas de viagem.

Palenque fica numa região de floresta tropical, a menos de 100 km da divisa com a Guatemala e, como Chichén Itzá, faz parte do Patrimônio Mundial da UNESCO. O sítio arqueológico local é super importante para a história da civilização maia, pois guarda importantes registros. A cidade teve uma “vida” de aproximadamente 900 anos, com os primeiros registros datando de, aproximadamente, 100 a.C.

Encontrei em alguns lugares informações não detalhadas de que a cidade, que tem mais de 15 quilômetros de extensão, era governada inicialmente por mulheres. Achei o máximo o empoderamento feminino desde os primórdios maias…

Por se tratar de uma área de floresta tropical, muitas ruínas ainda estão em fase de descoberta e estudos para que sejam abertas ao turismo. Encontrei informações de que são 500 edificações descobertas e somente 34 abertas para visitação – os números impressionam!

palenque

Infelizmente o clima não nos foi favorável e a chuva forte que caiu no dia, somada à frente fria, nos impediu de fazer uma visitação mais detalhada, nos embrenhando pelos caminhos da mata. Mas ainda assim deu para aproveitar bastante…

mascara

Em Palenque o Templo das Inscrições é o edifício mais importante. Seu nome dá conta de sua principal contribuição na civilização maia, pois ali foram encontrados importantíssimos registros em hieróglifos, que subsidiaram muitas das pesquisas históricas. Aqui também foi o templo funerário do rei Pacal, importante governante maia, cuja máscara mortuária está exposta no Museu Nacional de Antropologia.

Outra coisa interessante é que o Templo traz também inscrições a respeito do futuro, remetendo-se a situações que acontecerão até em 4.772 (viu só como o mundo não ia acabar em 2012?! hehehe). Confesso que fiquei curiosa…

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Mesmo com chuva foi bem gostoso poder passear pelas ruínas de Palenque. É bem diferente dos demais sítios arqueológicos que visitei, no conjunto das ruínas, com a mata e as cachoeiras locais. Recomendo para quem quiser se aventurar por lá!

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Daniela Nogueira

Daniela Nogueira

Sou educadora da rede pública, mas é nas viagens que me realizo. Esse bichinho sempre esteve comigo, mas precisou que um ex namorado o alimentasse e foi com ele que aprendi a “conhecer o mundo”. Como todo pé na bunda te empurra pra frente, foi nessa situação que comecei a viajar sozinha, e nunca mais parei! Hoje já pisei nos cinco continentes e fiz roteiros que antigamente eram impensáveis. Os planos para o futuro? Dominar o mundo!
Daniela Nogueira

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México, uma aula de História

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