No post anterior começamos a falar sobre os pontos de interesse histórico que visitei no México. Lá comentei sobre alguns lugares da Riviera Maia e de Palenque, lugares de cultura maia. Hoje vou mostrar os lugares que estive que são da cultura asteca.

Para quem faltou na “aula” sobre a diferença entre maias e astecas, corre lá e dá uma lida rápida

Tendo a Cidade do México como hospedagem, é possível fazer a visita aos seguintes principais pontos históricos:

1. Teotihuacán: a “cidade onde homens se convertem em Deuses” nasceu como uma cidade planejada. No auge da sociedade, por volta de 450 a 650 d.C., tinha uma extensão de 23km², com cerca de 175 mil habitantes, sendo a maior cidade da Mesoamérica (e a sexta maior do mundo à época do seu apogeu). Esses dados servem para dar conta da importância histórica desse espaço. Em termos de senso comum, Teotihuacán é conhecido como o local onde ficam as Pirâmides do Sol e da Lua e é também considerado Patrimônio Mundial da Unesco. Como o local é bem grande e o sol era escaldante, não demos conta de visitar todo o espaço, e vou me focar apenas no principal:

  • Pirâmide do Sol: a Pirâmide foi a base de um grande templo dedicado ao Deus Sol. Muito imponente, é a terceira maior pirâmide do mundo, construída de frente para o poente, para que o Sol irradie seus raios sobre ela ao fim do dia.

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 Com várias “bases”, tem cerca de 240 degraus que usamos para alcançar o seu topo. O que cansa bastante não é exatamente a quantidade de degraus e sim a inclinação deles. Prepare o fôlego, força nas canelas e vamos em frente…

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Quanto mais próximo ao topo, mais estreitas as escadas vão ficando, e por isso a organização local organiza o fluxo de pessoas para subir e descer. Hoje nossa permanência no topo, da forma como já tinha visto em fotos, não é mais permitida. O topo é separado por “corredores” e nem uma sentadinha para admirar o visual é possível.

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Lá de cima vemos toda a “Calçada dos Mortos”, que tem uma extensão de 4 km. Esse nome se deve ao fato de que, à época descobrimento do sítio arqueológico, pensavam que os pequenos templos que ficam na lateral da avenida eram túmulos.

  • Pirâmide da Lua: assim como Sol, a Lua também tem grande importância na mitologia local. Numa sociedade que sobrevivia da agricultura, a Lua guarda relação com a Deusa Mãe, aquela responsável pela fertilidade e pelos ciclos da natureza. A Lua representa também a dualidade do dia e da noite (sol e lua).

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Existe uma superstição que conta que o turista deve primeiro subir na Pirâmide da Lua e depois na Pirâmide do Sol. O motivo seria que a Pirâmide da Lua suga sua energia, enquanto a do Sol, recarrega.

Por motivo de a avenida ser muito grande e a Pirâmide do Sol vir antes, subimos nela primeiro, ignorando a superstição.

Ao subir na Pirâmide da Lua percebi que nossa energia é sim roubada, não pela deusa, e sim pelo ângulo das escadarias.

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Essa pirâmide só permite acesso até a primeira base. Ainda bem! Porque se nessa primeira base eu cheguei botando os bofes para fora, sem fôlego, penso se tivesse que subir os 45 metros eu morreria!

Dali do alto tem um bom ângulo para fotinhos com a Pirâmide do Sol ao fundo.

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Como chegar: dá para ir por conta própria indo de ônibus a partir do Terminal Norte. Tem empresas próprias que vendem o ingresso de ônibus até lá (o terminal é enorme e há que se procurar pela empresa, que se não erro é algo como “Autobuses Teotihuacán”, mas basta perguntar que indicam) e o bilhete custa MXN$ 44 o trecho, ou seja, algo por volta de R$ 6 (já dá para comprar a ida e a volta no guichê). A viagem dura aproximadamente 45 minutos e é bem tranquila.

Dica: os portões de entrada e saída são forrados de lojinhas. O comércio ali é bom e a variedade bem grande. Além dessas lojinhas, no meio do sítio existem ambulantes vendendo de tudo um pouco. Negocie porque aparecem boas oportunidades de compra, principalmente do artesanato feito com a pedra obsidiana e as réplicas das máscaras mortuárias do Pacal. Ah, e não se deixe enganar porque algumas coisas vendidas como “prata” são apenas banhadas, e não legítimas.

Leve água, pois o sol é impiedoso e castiga… E você vai andar muuuito!

2. Templo Mayor: um conjunto de ruínas incríveis dentro do centro da Cidade do México, ao lado da Catedral. A descoberta dessas ruínas é super recente, de 1978, e é incrível ver como tudo estava muito bem conservado. A descoberta foi feita pelos funcionários da empresa de energia elétrica que precisavam abrir um buraco e nesse ponto encontraram um enorme monolito de cerca de 8 toneladas! Para que o local fosse estudado e recuperado à altura de sua contribuição histórica, mais de dez prédios do Centro precisaram ser demolidos.

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A visitação é bem fácil, feita por passarelas que foram colocadas sobre as ruínas para que possamos caminhar sem danificar nada. Ao longo do percurso várias placas dão explicações do espaço.

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Anexo à parte das ruínas existe um excelente museu, montado com um acervo de 7 mil objetos descobertos nas escavações desse e de alguns outros locais. O museu é muito bem organizado e dividido em sessões temáticas. As peças apresentadas são lindas!

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3. Museu Nacional de Antropologia: fica dentro do Bosque Chapultepec e é de fácil acesso por metrô. Não tenho muito o que falar desse museu, exceto que é o melhor (ou dentre os melhores) que já visitei até hoje. O acervo é super completo, a curadoria impecável e as peças perfeitas!

As salas conduzem a história desde os tempos primórdios, de 6 milhões de anos atrás até a parte mais contemporânea, de 1.600 d.C. Além da parte arqueológica possui salas de exposição etnográfica, que mostram todos os povos do México separados por regiões / costumes.

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É em uma das salas deste Museu que está o enorme disco que ficou conhecido mundo afora como “Calendário Maia”. Na verdade, esse gigantesco disco, de mais de 3 metros de diâmetro e com 25 toneladas é a Pedra do Sol, sendo da cultura asteca, e não maia. A luz e o calor do sol eram equivalentes à vida, e por isso o Sol assume o papel de uma deidade suprema nas culturas locais. É impressionante ver de perto!

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Além de tudo isso na parte externa, nos jardins ainda existem réplicas de templos.

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Dica: Não demos conta de ver todo acervo de forma detalhada porque é muuuuita coisa e estávamos bem cansados. Ficamos cerca de 4 horas de visitação atenta. No local existe um restaurante (que não conheci) e se for de seu interesse, você pode programar uma visita de maior atenção / tempo, e aproveitar para fazer a refeição no local e dar uma descansadinha…

4. Museu Nacional de História: fica dentro do Castelo de Chapultepec, que fica também no Bosque Chapultepec, com fácil acesso de metrô. Esse Castelo data do fim do século XVIII e foi construído na época do Vice-Reino da Nova Espanha para fins de moradia. Abandonado por muitos anos e depois utilizado para diversos fins (até como depósito de pólvora), o Castelo se tornou oficialmente a sede do Museu Nacional de Histórica em 1938.

O prédio é bem bonito, com belos jardins e salas com mobília européia.

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Mais uma vez, ponto para os museólogos mexicanos que tinham tudo para tornar esse um museu chato, enfadonho e, ao contrário, construíram o conteúdo de uma forma bem interessante, abrangendo uma grande linha histórica que vai até a modernidade.

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Dicas: para o Templo Mayor e os Museus, recomendo que a visita seja feita no período da manhã, pois as filas são praticamente inexistentes. Próximo do horário do almoço os locais já ficam muito cheios.

Exceto em Teotihuacán, em nenhum dos outros espaços você pode entrar com garrafa de água e/ou alimentos. Se programe com a alimentação e hidratação antes da entrada.

Todos os espaços históricos do país são gerenciados pelo Instituto Nacional de Antropologia e História, e por isso, todos têm o mesmo valor de ingresso – MXN$ 65, equivalente a cerca de R$ 16 em março deste ano.

Daniela Nogueira

Daniela Nogueira

Sou educadora da rede pública, mas é nas viagens que me realizo. Esse bichinho sempre esteve comigo, mas precisou que um ex namorado o alimentasse e foi com ele que aprendi a “conhecer o mundo”. Como todo pé na bunda te empurra pra frente, foi nessa situação que comecei a viajar sozinha, e nunca mais parei! Hoje já pisei nos cinco continentes e fiz roteiros que antigamente eram impensáveis. Os planos para o futuro? Dominar o mundo!
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México, a história continua…

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