Você pega uma carioca e exila ela no deserto, o que acontece? Na primeira chance ela foge para a praia.

Mar vermelho 1
Dahab, uma praia perfeita para mim.

 Por mais que eu adore uma praia, minhas viagens nunca tiveram o mar como foco principal, quando dava para encaixar uns dias na praia, era a cereja do bolo. Se não desse, tudo bem, eu estaria voltando pro Rio mesmo. Até que resolvi chamar a Capadócia de casa, e me vi cercada de rochas. Praia? A mais próxima está a 300 quilômetros de distância, e nem é a melhor do mundo não. O litoral turco é deslumbrante, não posso negar, mas o papo de hoje é outro.

Com 3 meses vivendo aqui, a falta do mar bateu forte. Aproveitando as passagens baratas na região, eu já tinha programado uma viagem para o Egito, mas coincidiu com um período de instabilidade política na região e as notícias não eram nada estimulantes, principalmente porque eu iria viajar sozinha. Olho pro mapa e lá está o Mar Vermelho, cercado de países tensos por todos os lados, mas naquele momento mais calmos que o Cairo. Lembrei de amigos que estiveram na região e voltaram com os olhos brilhando. Luxor e os templos de Abu Simbel merecem a visita, mas como as suas riquezas vão continuar por ali por outros mihares de anos, mudei meus planos para a praia, divididas entre Sharm el-Sheik e Dahab, e encontrei o éden.

 Tão próximas e tão distantes…Sharm el-Sheik vai ser o seu lugar se você curte o sistema resort, drinks na piscina, conforto, programação noturna. O litoral é lindo, mas não existem praias de areia, são decks construídos sobre as pedras.

Já Dahab…ahhh Dahab, sua linda!  Famosa no passado entre os mochileiros como uma vila beduína de pescadores e de hospedagem barata, desenvolveu-se para o turismo, mas sem perder o charme. A descontração impera, e o chinelo não sai do pé. Minha definição pessoal de paraíso: posso passar o dia de chinelo? Então é paraíso. Tem alguns hotéis de maior porte, mas a maioria são estabelecimentos menores, restaurantes pequenos, atendimento familiar e gatos, muitos, por toda a parte. Praias vazias, areia (porém não na praia principal da vila, a costa é cheia de pedras), um mar azul lindo, temperatura perfeita e sem ondas.  Dahab, em árabe, significa ouro e, segundo os locais, a vila ganhou esse nome em função da coloração das montanhas durante o por do sol.  E para quem pensa em explorar o Monte Sinai e o Mosteiro de St. Catherine, é de Dahab que saem os tours.

 O Mar Vermelho é considerado um dos melhores pontos de mergulho do mundo, e em Dahab é a atividade principal. São inúmeras agências organizando saídas, para mergulho e snorkel. Eu não nasci para mergulhar, muita informação pra mim, mas não dispenso um snorkel. Foi difícil escolher um local, são muitas opções, mas segui a recomendação da alemã fofa que trabalhava no centro de mergulho, um dos muitos estrangeiros que se apaixonaram por Dahab e ficaram, e fui. Depois de duas horas na água, eu pude confirmar a fama do Mar Vermelho. Que arrependimento de não ter comprado uma câmera a prova d’água, aquele Nemo fez pose pra mim, tenho certeza. Não resisti e marquei outra saída para o dia seguinte, e foi outro inesquecível show subaquático.   Mas capriche no protetor solar, o sol castiga, senti os efeitos do sol na traseira por alguns dias…

Dahab – para quando você for

 A maneira mais confortável de chegar a Dahab é de avião, voando para Sharm el-Sheik, a uma hora de distância de carro. Algumas empresas fazem o transfer entre as cidades, com horários marcados de saída. Outra opção é reservar um serviço diretamente com o seu hotel.

Quando eu fui, em função dos programas políticos no Egito, a estrada fechava diariamente entre o pôr e o nascer do sol, por isso precisei dividir a minha estadia entre as duas cidades. Não deixe de obter informações atualizadas sobre a região antes de ir.

Eu não utilizei, mas existem ônibus saindo do Cairo e de outras cidades para Dahab.

Ainda que a vila seja um spot turístico e de praia, é Egito. Seguir as regras de conduta e vestir-se de acordo ao local é importante e vai fazer muita diferença na sua experiência. O assédio vai existir sempre, sendo você mulher e ocidental. Quanto mais você mostrar, mais vai atrair olhares, a matemática é simples J Vista-se com moderação e aproveite o que o local tem de melhor para oferecer.  

 E continua…

Karina Ferraz

Karina Ferraz

Nasci no Rio de Janeiro, quis ser aeromoça, mas escolhi a arquitetura, paixão que me fez querer ver o mundo. Mundo esse que me levou até a Turquia, que resolvi chamar de casa e onde vivo há 3 anos. A arquitetura entrou de férias, surgiu a agente de viagens, que vive de organizar viagens para os outros e principalmente, para si mesma. Afinal, morar no centro do mundo faz tudo parecer mais perto.
Karina Ferraz

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Um grande amor: o Mar Vermelho

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