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Foi assim que o garçom começou sua abordagem comigo, enquanto eu olhava minhas mensagens no celular, sentada no sofá do restaurante Mi Viejo. Estava faminta e aguardava pela oportunidade de sentar à mesa e desfrutar do meu primeiro jantar em El Calafate, na Patagônia Argentina.

O garçom me abordou então, perguntando se eu, que estava sozinha, aceitava dividir a mesa com outro cavalheiro, que também estava sozinho. Numa fração de segundos pensei “o máximo que pode acontecer é eu jantar sem conversar, como já ia fazer mesmo” e aceitei.

Era minha primeira experiência nesse sentido e, timidamente, me sentei à mesa com aquele jovem senhor. Ele também estava tímido, mas o gelo foi sendo quebrado e começamos a conversar.

Descobri então que o jovem senhor era grego. Sim, grego! Não um “Deus Grego” porque aí era pedir demais, né gente?!

Começamos a conversar e então ele me contou que estava na estrada havia 3 meses, que depois que a crise na Grécia havia começado ele fechou o comércio que tinha e decidiu ir aproveitar um pouco da vida…

Contei que era brasileira e ele me disse que estivera no Brasil a pouco menos de 1 mês. Trocamos nossas impressões sobre os lugares que ele visitou aqui, sobre lugres que visitamos em comum na América do Sul e a conversa foi fluindo de forma tão gostosa quanto a carne que comíamos.

Quando me dei conta do adiantado da hora me desculpei dizendo que precisava ir embora, pois ainda precisava passar no supermercado para comprar o lanche da trilha do dia seguinte, e o mercado estava quase fechando. Chamamos o garçom para pedir a conta e meu companheiro de mesa disse que ia pagar meu jantar, como uma forma de agradecer pela companhia. Insisti algumas vezes de que não era necessário e mediante várias negativas, só me restou agradecer e me despedir.

No dia seguinte pela manhã, ao entrar no ônibus que partia com destino a El Chaltén, quem estava na poltrona ao meu lado? Sim, novamente o amigo grego.

Dessa vez fizemos todo trekking da Laguna Capri em El Chaltén juntos, conversando e contemplando aquela natureza maravilhosa. Ele foi uma excelente companhia.

el-chalten

Novamente era hora de ir embora. Nos despedimos e trocamos contatos, mas preciso confessar que nunca escrevi a ele porque não entendi sua letra – e como já tinha perguntado várias vezes, fiquei encabulada e desisti, fazendo de conta que finalmente entendera e ficando só na minha ignorância mesmo… Nunca recebi um e-mail dele e penso que talvez a recíproca da falha de comunicação tenha acontecido… ou talvez não! Quem sabe um dia, em um dos diversos cantos do mundo, não nos encontramos novamente, né?!

Saí dessa dessa viagem com mais um aprendizado: quando nos abrimos ao novo, sem pré-conceitos, boas surpresas aparecem e a gente só tende a ganhar… Isso vale não só para viagens, mas para a vida!

E definitivamente esse jantar de El Calafate não foi um presente de grego!

Daniela Nogueira

Daniela Nogueira

Sou educadora da rede pública, mas é nas viagens que me realizo. Esse bichinho sempre esteve comigo, mas precisou que um ex namorado o alimentasse e foi com ele que aprendi a “conhecer o mundo”. Como todo pé na bunda te empurra pra frente, foi nessa situação que comecei a viajar sozinha, e nunca mais parei! Hoje já pisei nos cinco continentes e fiz roteiros que antigamente eram impensáveis. Os planos para o futuro? Dominar o mundo!
Daniela Nogueira

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