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Chegar na praça Kantuta é cruzar a fronteira boliviana sem sair de São Paulo. Aqui, nesta praça no bairro do Pari, localiza-se a feira boliviana mais conhecida de São Paulo¹ .O Pari é onde se concentram grandes oficinas da área têxtil, e também onde a maior parte da mão de obra boliviana trabalha, e por isso a feira se instalou nessa região, funcionando desde 2001.

Como é

Ao contrário do que pode-se pensar, a feira não é uma atração turística, e sim um local de compras e confraternização dos estrangeiros. Ali encontram-se barracas com produtos industrializados bolivianos, cereais a granel, uma grande diversidade de batatas e outros alimentos típicos andinos, tudo a um bom preço…

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Percorrer essas barracas com o olhar curioso é por várias vezes parar e perguntar “senhora, o que é isso? E como se prepara? É gostoso? Tem alguma propriedade medicinal?” E sim, eles respondem à todas as suas perguntas de forma bastante simpática, como um vendedor que disse “esse é um energético natural. Serve tanto para homem quanto para mulher. E para mulher que quer engravidar é muito bom!”. Saí correndo dessa barraca! Haha

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Quando acontece

A feira acontece somente aos domingos, começa às 11h e vai até às 19h, mas ao meio dia ainda poucas barracas estavam em funcionamento. O movimento começou mesmo depois das 14h.

O que fazer por lá

Mas o que fazer por lá? Bem, eu já tinha essa visita planejada fazia tempo… Aproveitei que tenho uma viagem marcada para a Bolívia no próximo mês, fui fazer uma ambientação e almoçar por lá.

Mas é seguro almoçar? As comidas são boas? Aí vou responder “Depende do seu paladar”…

Como assim? Bem, eu fui para almoçar no lugar, né? Percorremos as barracas procurando algo típico que nos apetecesse. Não queria comer “salchipapa”, que são salsichas com batatas! Queria algo “diferente”.

Logo no início da feira tem uma série de barracas exclusivas de alimentação, com tendas montadas e mesas, como um restaurante. Escolhemos uma que tinha um cardápio com a descrição dos pratos, porque dizer que é “charkekan” não me diz nada.

E coincidentemente, essa barraca do cardápio com a descrição era a mais cheia e usamos a lógica “maior número de pessoas = alimento mais gostoso”.

Na aventura, pedimos dois pratos para dividir entre 4 pessoas, pois não sabíamos qual seria o sabor e queríamos manter espaço para as salteñas, que já sabíamos serem indicadas!

Comidas típicas

Pedimos dois pratos que eram “iguais”, só que um de frango e outro de carne. O de carne estava bem gostoso. A carne super macia (sei que não era filet mignon, mas achei melhor não perguntar muito a respeito), e o molho super saboroso (levemente picante, o mesmo molho também acompanhava o frango). O arroz branco era um arroz branco comum, a batata cozida uma batata cozida comum (só que sem sal e nem azeite! rs) e as tuntas (outras batatas que eram “brancas desidratadas”) ² com molho de amendoim, foram horríveis para o meu paladar (e ao paladar dos meus amigos também!) Cada prato custou R$ 14 e eram bem servidos.

Falso conejo
Falso conejo
Sajta de pollo
Sajta de pollo

Sendo assim, não comemos tudo e sobrou espaço para as salteñas! Oba!

As salteñas são mais procuradas em uma barraca especializada nelas, que tem também a tenda e mesas. De vários sabores, cada uma a um custo de R$ 5, vem muito bem servidas, com massa saborosa e recheio bastante farto. Alguns sabores, como o de carne, acompanham uma colher, pois o recheio é bem cremoso.

saltena

Acompanhada de uma cerveja típica ou uma inka cola, a refeição ficou R$ 15 (porque a cerveja importada custa R$ 10). Detalhe: a salteña de chocolate não é uma salteña e sim um big croissant (que era bom, mas gigante).

croissant

Se quiser se aventurar um pouco mais, pode também provar o Mocochinchi, que é um suco de pêssego desidratado, feito com cravo e canela ou o suco de amendoim (mais gostoso que o de pêssego).

Mocochinchi

O ambiente da feira é super familiar e apesar de ficar numa região bem feia, que te assusta um pouco quando chega, não oferece perigo algum. Ali as famílias se confraternizam, as crianças brincam, os homens jogam futebol e todos se divertem.

Arte urbana

Ah, outra coisa bem interessante dali são as paredes, todas com grafites e poesias. Pena que muitas barracas cobrem os espaços das artes, mas ainda assim é bem interessante.

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Para quem quiser vivenciar um domingo ainda mais típico, no próximo fim de semana (6 de agosto) é comemorado o “Dia da Independência da Bolívia” e acontecerão apresentações culturais, cujas danças estavam sendo ensaiadas no domingo que fui.

Sem dúvida, vale a pena o passeio.

Como chegar:

Eu fui de carro, mas de metrô é só descer na estação Armênia (linha azul) e seguir pela rua Pedro Vicente até chegar na praça.


1. Digo isso porque em outros bairros existem outras concentrações desse tipo, mas com proporções reduzidas

2. Vende-se muitos tipos de batatas desidratadas

Daniela Nogueira

Daniela Nogueira

Sou educadora da rede pública, mas é nas viagens que me realizo. Esse bichinho sempre esteve comigo, mas precisou que um ex namorado o alimentasse e foi com ele que aprendi a “conhecer o mundo”. Como todo pé na bunda te empurra pra frente, foi nessa situação que comecei a viajar sozinha, e nunca mais parei! Hoje já pisei nos cinco continentes e fiz roteiros que antigamente eram impensáveis. Os planos para o futuro? Dominar o mundo!
Daniela Nogueira

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Feira Kantuta: indo à Bolívia sem sair de São Paulo

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