Impossível estar em Berlim e não ser convidado a pensar na cidade, no que foi o País dividido pelo muro de Berlim. Normal olhar para o chão e ver uma linha sinalizando que por ali ele passava, sem contar nas inúmeras partes do muro que avistamos nos principais pontos da cidade. Chega um momento em que fica “natural” ver pedaços coloridos de concreto e que não te deixam esquecer que o muro da vergonha não é lenda.

Pedaços do muro por toda a cidade.

Dois lugares são essenciais para conhecer a Alemanha dividida e tentar, ao menos um pouco, imaginar como era viver aquela realidade: East side gallery e a Bernauer Strasse.

East side gallery: a maior parte do que restou do muro de pé, pouco mais de um quilômetro. O que era triste e impedimento do direito de ir e vir, transformou-se em uma área cheia de cores e arte urbana. Os graffitis remetem à época e criticam a divisão do País em duas ideologias, sobretudo à censura e o não direito da liberdade de expressão.

East side gallery
O muro da vergonha.
A queda do muro.
O cumprimento entre os líderes socialistas da Alemanha e da União Soviética que ficou famoso. O beijo.

Só precisamos ficar um pouco atentos para não sairmos convencidos de que o capitalismo era o lado mocinho da história. As duas ideologias apresentaram os seus piores lados. Mas isso é outra discussão… É uma delícia percorrer pela extensão do muro e dá vontade de fotografar todos os desenhos. Sou fã declarada de arte urbana e nem precisa dizer que pirei ali. Achei até um FORA TEMER!  😎  😛  😀 Precisa dizer mais o quê?

Mas tem que ter crítica porque o capitalismo também engana. Não faz isso com Marx.
Mas aí encontramos a resitência! “No Trump”, recados do coração para você!
Mas eu dava um beijo na pessoa que escreveu este FORA TEMER!
Música no muro.
Mandela <3
Tocar pelado no frio é para os fortes.

Bernauer Strasse: Esta é uma rua para se emocionar ao longo do trajeto que fazemos por ela. Um lugar que foi dividido pelo muro, de modo que parte ficou do lado ocidental e outra do lado oriental.  Os moradores foram proibidos de visitar parentes, amigos que viviam do outro lado. O muro passava em frente a prédios e as pessoas tentavam passar para o lado oposto jogando-se das janelas ou cavando túneis. As primeiras mortes decorrentes do muro de Berlim e da tentativa de fugas dos moradores aconteceram na Bernauer Strasse. Nos dias atuais  virou um memorial e é possível saber cada detalhe do cotidiano dos residente da época.

As construções atuais vão nos contando sobre a época e tudo começa em 1961 com a construção do muro, conforme sinalizado na lateral deste prédio.
Estas barras de ferro representam o muro que ali passava. Uma rua dividida e pessoas impedidas de circularem.
Aqui pessoas tentaram escapar por um túnel.
Pessoas que morreram tentando pular a janela…

Há um pedaço do muro  com a torre de vigilância (que impedia a fuga dos moradores) e, de frente, uma plataforma na altura dos prédios construídos naquela época. Só de ver aquele muro e uma enorme torre de vigilância, lá embaixo, causa uma grande aflição… Imagine ser impedido de circular pelo seu bairro e se deparar com aquele concreto na sua janela. Com o passar do tempo, como medida para evitar as fugas, os moradores foram sendo retirados destes prédios e as janelas bloqueadas. A parte final do memorial é uma homenagem a todas as vítimas e que morreram tentando escapar para o outro lado.

Um pedaço conservado do que já foi a vida real: o muro e uma torre de vigilância.
Bernauer Strasse
Pessoas separadas por um muro. Monumento às vítimas.
Bernauer Strasse
No muro o registro de que pessoas morreram.

Berlim é assim: encantadora e um convite “pertubador” para pensar na história contemporânea. Já foi exemplo de coisas ruins e hoje reiventa-se, traçando caminho oposto.

A vida continua, mas estas barras de ferro contam sobre o passado para a geração atual. Berlim é assim.
Luciana Almeida

Luciana Almeida

Sou uma carioca nômade. Adoro sentir o frio na barriga de conhecer um lugar novo.Assistente social de formação e viajante compulsiva nas horas vagas, meu objetivo é colecionar histórias e boas memórias de lugares, pessoas e culturas. Quero me jogar nos destinos e sonho com uma volta ao mundo. Viajar pode ser sozinha ou acompanhada, e o lugar pode ser qualquer lugar no globo. Afinal, o que importa é viajar cada vez mais.
Luciana Almeida

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Dois lugares para viver a Alemanha dividida pelo muro

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