Organizar uma mala de inverno costuma ser o momento em que os maiores erros são cometidos, por ser uma situação muito distante da nossa realidade. Principalmente falando dos meus conterrâneos cariocas, porque essa coisa de inverno com temperaturas na casa dos 20 é coisa que só existe no Rio :-).

Eu falo por experiência própria, aprendi na marra o que serve e o que salva a vida quando as temperaturas chegam próximas e abaixo de zero aqui no frigorífico que resolvi chamar de casa. E quero ajudar você que está ai, sem saber como organizar uma mala útil depois de marcar uma viagem para o hemisfério norte no inverno.

Guia definitivo para mala de inverno
Dever de casa feito, você vai estar aquecida para as suas férias.

Primeiro, e o mais importante na minha opinião, estude as temperaturas médias do local que você vai visitar, no período da sua viagem. É tudo inverno, mas muda radicalmente se estamos falando da Rússia, Amsterdã ou do sul da Peninsula İbérica.  Você não vai precisar daquele traje especial para caçar urso polar indo passar uma semana na Andaluzia, e vai poder focar no que efetivamente vai ser útil.

Não sabe como acompanhar isso? Sites como o accuweather.com registram as médias de todos os meses. Acompanhe também antes da sua viagem, marque as cidades no aplicativo de previsão de tempo do seu celular e verifique sempre, é bom para se sentir viajando antes da viagem começar também.

Dever de casa feito, você terá informações preciosas para ajudar na organização da sua mala de inverno, e será capaz de determinar quantas camadas de roupa, e de quais tipo você vai precisar. Porque a regra do inverno é a mesma sempre, vista-se em camadas e proteja as extremidades.

Dica extra e de ouro! Observe a média de variação das temperaturas máximas e mínimas. Eu vivo num local onde a amplitude térmica é muito alta, com loucuras de fazer  15 durante o dia e -3 a noite. İsso define muito a forma como eu preciso me vestir. Por mais que eu esteja bem durante o dia com roupas mais leves, eu sei que a noite eu vou precisar estar muito mais aquecida e saio preparada. O mesmo serve para as suas férias, tendo um roteiro em mente e ciente da variação de temperatura, você pode sair pronta para passar o dia todo na rua. Porque nem sempre é possível dar aquela passadinha no hotel para trocar de roupa.

Voltando para as camadas, vou vestir todas as roupas que levei na minha mala, certo? Não! O conceito de camadas serve para adequar o traje as variações de temperatura a que você será submetido ao longo do dia, circulando entre ambientes internos aquecidos e o ar livre, e ainda conseguir se mexer. Como em geral os ambientes aquecidos seguem um padrão de temperatura entre 20 e 24 graus, se você não tiver roupas leves por baixo, vai literalmente assar. O processo de monta-desmonta é chato, mas é um mal necessário, não existe sensação pior que derreter por baixo de várias camadas de roupa que você não tem como tirar. Strip tease não é bem visto em qualquer lugar! rs

O que eu adoto e funciona para mim, com as variações possíveis. E observem que não estou falando de situações que envolvem esportes na neve ou outras atividades radicais, são dicas que vão te ajudar em cidades, variando  entre ambientes externos e internos. E lembre-se também que, muito mais importante que causar no look do dia, é estar aquecido e confortável.

Parte de cima

O meu sanduíche na parte de cima sempre começa com uma blusa de manga longa justinha, de tecidos como algodão, poliéster, ou com propriedades térmicas como a lã merino. Em locais de frio mais extremo, opte pela térmica, em temperatura razoável, algodão ou similares resolvem. Eu adoro umas que tem a manga bem longa mesmo, que cobrem até a metade da mão, ou com o thumbs loop, uma “alça” que prende a manga no seu dedo, ótimas para colocar por baixo da luva, ou evitar que embole com as outras camadas.

Por cima da primeira camada, vai a peça que vai manter o calor no seu corpo, que pode ser de lã, fleece, cashmere, o que você preferir e atender a necessidade. Essa vai ser a camada intermediária, e a eficiência térmica vai variar de acordo com o material, opte por um tricô mais leve para um inverno mais ameno ou um fleece poderoso para dias de frio extremo.

Guia definitivo para mala de inverno
Um fleece bem poderoso, excelente mas que não funciona como camada externa.

A última camada, a externa, é o cara que vai fazer toda a diferença na sua sobrevivência, de dia e a noite. É o melhor investimento que você pode fazer, e como não é um ítem barato, é importante que seja também versátil, além de eficiente.

Como escolher um casaco?

Uma coisa que vejo com muita frequência são pessoas querendo comprar vários casacos para uma viagem, sem necessidade. Um bom casaco é tudo o que você precisa e não é pecado nenhum repetir a peça todos os dias, İnvista em um de cor neutra, preto, cinza, azul escuro, bege, e varie o visual usando acessórios coloridos.

O casaco perfeito é uma decisão bem pessoal que deve refletir o seu gosto e estilo. Eu particularmente não gosto de casacos compridos, por mais que digam que aquece mais, protege as pernas e blá blá blá. Eu não curto e prefiro compensar aquecendo as pernas de outra forma. Quanto ao material, as opções mais comum são os casacos de lã e os recheados de pena, esses fofinhos conhecidos como doudone ou down jacket. Existem ainda os de Goretex e Softshell, excelentes materiais, mas são opções mais esportivas, não tão usados no dia a dia.

Guia definitivo para mala de inverno
Casaco de lã, perfeito para o inverno seco e dias lindos como esse da foto.

Ambos tem seus prós e contras. Os de lã, desde que sejam realmente confeccionados nesse material, ou pelo menos 75% lã (olho na etiqueta!) são ótimos, aquecem bem, porém não são impermeáveis, o que é um limitador em caso de chuva e neve. Já os de material sintético, os fofinhos, são impermeáveis e ideais para o clima úmido. Como eu disse, é uma escolha pessoal e que deve estar totalmente ligada ao clima do seu destino. Tem chance de neve? Opte por um doudone. Todas as marcas, das mais baratas as mais caras vendem modelos desse tipo, com forro sintético ou de penas de ganso. Podem não ser o modelo mais elegante, mas são eficazes em dias gelados.

A Uniqlo é uma marca muito conhecida de roupas de frio tecnológicas, com excelentes produtos, porém eu não acho que os seus casacos sejam tão eficientes como camada externa em temperaturas negativas. Para mim o que funciona mesmo é usar uma das down jacket da marca por baixo de outro casaco, para potencializar. Caso resolva investir em um ítem da marca, eu recomendo uma dessas, além de serem super compactas, não ocupando espaço na mala.

Guia definitivo para a mala de inverno
Não precisa ser dessa cor! Foto para ilustrar o tamanho da jaqueta para viagem, super compacta. İmagem: Uniqlo

Ainda está com frio? Adquira um colete de fleece para usar embaixo do seu casaco. Os coletes são um super coringa, e funcionam bem sozinhos ou em conjunto com outras peças. Eu adoro os de tecido sintético fofinhos para os dias que o frio da uma trégua, e os de fleece para compor com outro casaco.

Guia definitivo para mala de inverno
Esses coletes são ótimos em temperaturas positivas.

Parte de baixo

A dúvida de sempre é, calça jeans serve? Depende de como ela vai ser usada. O que acho que faz toda a diferença é investir em meias de qualidade, próprias para o inverno. Sobrepor meias não adianta, vai atrapalhar a sua mobilidade, gangrenar e você vai continuar com frio.

Comece com uma meia calça térmica, eu tenho várias que são forradas de fleece, além de serem uma delícia, são fofinhas e parecem um abraço, são muito quentes. Existem modelos tipo meia calça e tipo legging, sem o pé, minhas preferidas.

Guia definitivo para mala de inverno
É possível sim usar saia no inverno, desde que as pernas estejam bem aquecidas e o restante sejam peças apropriadas.

Por cima dessas térmicas, vestidos, saias, leggings, jeans ou calças impermeáveis próprias para a neve, quando eu quero brincar e pular por ai. Eu uso muito leggings, de um material mais grosso, são confortáveis e fazem um bom par com as meias térmicas por baixo.

Guia definitivo para mala de inverno
Para brincar na neve, roupas próprias!

Jeans funciona com as térmicas por baixo, mas de preferência aos modelos com stretch que são mais maleáveis.

Jeans, com uma térmica por baixo e sapatos próprios.
Jeans, com uma térmica por baixo e sapatos próprios.

Extremidades

Não adianta fazer a lição de casa e sair com um sapato inapropriado, é trabalho perdido. As extremidades são as partes do corpo que perdem o calor mais rápido, e consequentemente as mais difíceis de aquecer. Foco neles  para o sucesso da sua operação inverno!

Cabeça, orelha e pescoço devem estar sempre protegidos!  Use cachecol, gorro ou tapa orelhas, o que funcionar melhor para você. Eu curto muito umas faixas, de fleece (olha ele ai de novo!) que servem tanto para cabelo quanto para o pescoço.

Mala de inverno o guia definitivo
İmagem: Tchibo.com

Para as mãos, luvas. Eu não gosto, para mim o que aquece a mão mesmo é o bolso do casaco, mas para dirigir, eu preciso das mãos, então vai um par de luvas. Para não limitar tanto os seus movimentos e poder usar o telefone, cartão do hotel e outros, opte por um modelo próprio para isso, ou luvas que cubram apenas metade dos dedos, com uma capinha para as pontas.

Nos pés, invista num sapato com solado próprio para o inverno, impermeável e antiderrapante. Comprar uma boa meia de lã e ficar com elas molhadas não vai resolver. A bota que você compra para o inverno no Brasil dificilmente vai ser eficiente, eu trouxe a minha queridinha da Mr. Cat, que foi cara pra caramba, e meu pé molhou em 3 segundos. Aqui eu comprei sapatos por um terço do preço e que funcionam de verdade, se puder, compre em lojas especializadas no Brasil ou no seu destino. E nem só de sapatos feios vive o inverno, vıu? Existem modelos para todos os gostos e ocasiões. Uma santa ajuda também são palmilhas de lã de carneiro, para colocar no seu sapato. Não vai transformá-lo num super sapato preparado para o frio, mas ajuda a adaptar um sapato de boa qualidade.

Mala de inverno guia definitivo
A minha última e excelente aquisição! İmagem: Decathlon

Lembrem-se sempre do ditado: Não existe frio, existe roupa inadequada!

 

Karina Ferraz

Karina Ferraz

Nasci no Rio de Janeiro, quis ser aeromoça, mas escolhi a arquitetura, paixão que me fez querer ver o mundo. Mundo esse que me levou até a Turquia, que resolvi chamar de casa e onde vivo há 3 anos. A arquitetura entrou de férias, surgiu a agente de viagens, que vive de organizar viagens para os outros e principalmente, para si mesma. Afinal, morar no centro do mundo faz tudo parecer mais perto.
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