Começo este post contando uma verdade a quem não sabe: La Paz não é a capital da Bolívia!

Sim, eu nunca fui a melhor aluna de Geografia da turma, mas meu equívoco (e tenho certeza que de muitos outros), não é infundado: La Paz é a sede do governo boliviano, e por isso se faz essa “confusãozinha” sobre quem é a capital ou não…

Na minha viagem à Bolívia (que comecei contando aqui) , La Paz foi a sede de onde eu partiria para os destinos que foram meu foco na viagem: o Salar do Uyuni e o Lago Titicaca.

Sendo assim, La Paz teve um plano secundário: tive 3 diárias intercaladas na cidade. Em nenhuma chegada minha (de Santa Cruz, do Uyuni ou de Copacabana) eu cheguei nas primeiras horas do dia, e por isso os passeios pela cidade foram bem básicos mesmo.

Alguém pode perguntar: “Mas você não foi ao Vale da Lua? Não fez o Downhill? Não foi ao vulcão Chacaltaya?” E minha resposta será “não, não e não!”.

E o que você fez na cidade então? Vamos descobrir!

O que vi em passagem por La Paz
  • Plaza Murillo: Praça principal da cidade onde se localiza a Catedral (a fachada é mais bonita que o interior) e o Palácio do Governo. A praça é super movimentada, ainda mais próximo ao horário de almoço, onde fica cheia de estudantes e trabalhadores da região, que usam o espaço como pausa no seu horário de almoço.
La Paz
Plaza Murillo: bem movimentada e cheinha de pombos (eu odeio, eca!)
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Catedral

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    Palácio do Governo
  • Museu Nacional de Arte: ao lado da Catedral, na esquina da Plaza Murillo, o museu é bem interessante. Tem bastante arte sacra (levando-se em conta o passado bastante religioso, não tem como dissociar a arte da religiosidade) e o prédio em si é muito bonito (datado do século XVIII). O ingresso custou Bs$ 20.
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Uma das galerias do Museu Nacional de Arte
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Beleza de arquitetura do Museu Nacional de Arte – pátio central
  • Igreja e Convento de São Francisco: o principal monumento colonial da cidade. A construção original é de 1549, mas o prédio que vemos hoje é de fim da década de 1780. Ou seja, antigo demais! A característica dessa igreja é sua fachada em pedra e o estilo barroco mestiço. A igreja está integrada ao convento e existe uma visita guiada através do Centro Cultural Museu São Francisco. A visita te leva a conhecer a igreja por cima, algumas das obras, alguns dos claustros e te leva num breve passeio ao telhado / torres da igreja. Achei bem interessante, e a guia que fez minha visita foi uma senhora super fofa que se despediu de mim com dois beijos estalados na bochecha, me recomendando cuidado por estar viajando sozinha pelo país. O preço do ingresso incluindo a visita guiada é BS$ 20.
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Fachada da Igreja São Francisco
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Pátio interno do Convento São Francisco de Assis
  • Teleférico El Alto: La Paz é uma cidade com uma topografia bastante acidentada. Assim sendo o transporte entre muitos pontos se faz por teleférico. O principal teleférico da cidade (o que chega mais alto e o que vai mais longe) é o da linha vermelha, que leva até El Alto, a cidade da região metropolitana onde fica o aeroporto, e a cidade mais alta do mundo! Vale lembrar que o propósito do teleférico não é turístico, mas vale a pena o passeio para conhecer esse sistema de transporte público (que por sinal é bem moderno e eficiente) e ver a cidade de La Paz do alto. O custo é Bs$ 3 o trecho.
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Estações do teleférico ligando duas altitudes diferentes
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La Paz vista do alto: monocromática! 🙁
  • Calle Sagárnaga: uma rua de compras diversas, bem pertinho da praça onde está a Igreja de São Francisco. Tem uma infinidade de lojas e galerias que vendem desde artesanatos típicos até bonitas (e finas) blusas de lã. Tem produtos para todos os bolsos.
Como chegar a La Paz

Em meus trajetos de idas e vindas, fui a La Paz uma vez por via rodoviária (a partir de Copacabana) e duas vezes por avião (com as empresas Amaszonas (a partir de Santa Cruz) e Boa (a partir do Uyuni).

Esqueça o que você já ouviu falar sobre os aviões na Bolívia! O avião da Amaszonas apesar de pequeno (apenas 12 fileiras) foi bem tranquilo e pontual, com bom atendimento. O avião da Boa foi no mesmo esquema “Gol” que tanto estamos acostumados, só que na versão melhorada porque tinha até serviço de bordo!

La Paz
Aeronave da Amaszonas

O trecho aeroporto / hospedagem eu fiz de táxi em todas as vezes que precisei (um itinerário de, aproximadamente, 20 minutos) por um custo fixo de Bs$ 60.

Como se locomover por La Paz

Eu fiz um percurso bem pequeno pela cidade, me locomovendo quase que exclusivamente pelo Centro. Não andei de ônibus e fiz tudo a pé. Até a ida à estação de teleférico (o maior trecho que andei) fui caminhando de boa.

A princípio o modelo de ruas da cidade me confundiu, porque tem muitos desníveis, passagens, passarelas para pedestres e escadarias. Mas com um pouco de boa vontade fica fácil… Não tive grandes transtornos nos dias que andei por lá.

Onde me hospedei

Fiquei hospedada no Arthy´s Guesthouse. A hospedagem é simples, mas bem simpática e atendeu perfeitamente minhas necessidades. Fiquei num quarto individual privativo com banheiro compartilhado a um custo de Bs$ 76,50.

Em duas das minhas chegadas eles permitiram check-in antecipado, o que ajudou um bocado!

A localização é boa, próxima do centro e da rodoviária, mas a rua não é “bonita”, sendo uma espécie de Santa Ifigênia (quem mora em São Paulo entenderá) das ferramentas e assim, sair à noite pode ser complicado se você estiver sozinha. Como não me aventurei (o cansaço era sempre maior) não posso garantir se era ou não de fato seguro.

Alimentação

Particularmente achei bem tranquilo a questão da alimentação na Bolívia. Não sei se eu estava tão preocupada, com a expectativa tão baixa, que o que encontrei me surpreendeu.

Quase todas as refeições do país vêm acompanhada com uma sopa de entrada. Eu não tenho problema com sopas, tomei todas que me foram oferecidas e não tive nenhuma dorzinha de barriga. Ao contrário, todas eram bem saborosas.

Eu tenho uma preocupação muito grande com a questão alimentar em viagens e não como comida de rua. Via de regra me arrisco a gastar mais, se necessário for, para comer em algum lugar que inspire segurança…

No primeiro dia fiz meu almoço próximo do Museu Nacional de Arte, num shopping local, nos Lomitos del 6to. O valor do almoço executivo com entrada (sopa), prato principal, balcão de saladas e sobremesa saiu por BS$ 30. O aspecto da comida e o sabor? Muito bons!

La Paz
Sopa de trigo com carne e picadinho com arroz e fritas

No segundo dia me animei a comer algo mais regional e fui ao Layka. Pedi o menu executivo, com sopa de papa lisa (um tipo de batata meio adocicada que já tinha provado na feira Kantuta aqui de São Paulo) e um prato típido a base de carne bovina grelhada com queijo, batata, milho e abas (um tipo de vagem gigante – a única parte do prato que não gostei).

La Paz
Plato paceño: quando a gente escolhe o prato sem ter ideia do que virá nele! rs

Fora isso na rua dos “pequenos museus” tem uns cafés bem interessantes e arrumadinhos para lanches rápidos e inclusive tem um que vende cerveja artesanal de quinoa. Óbvio que quando vi o cartaz na parede anunciando, tive que provar, né? O sabor? Aprovado!

La Paz
Cerveja artesanal de quinoa. Essa pode porque é nutritiva! rs
Dica extra:

La Paz é uma cidade de grande altitude e por isso eu sofro um pouquinho em lugares assim. Não tenho náuseas e dores de cabeça, mas um cansaço respiratório me acompanha todos os dias, junto com o nariz que sangra.

Para melhorar a respiração levo sempre comigo um spray com soro fisiológico que ajuda a lubrificar as narinas e na hora de dormir, para dar uma dilatadinha e eu dormir melhor, me encho de vick vaporub. Fico bem cheirosinha #sqn, mas é meu jeito de conseguir dormir um pouco melhor, acordando menos vezes à noite…

Não esqueça também de beber bastante água e se a coisa ficar muito feia para você, compre nas farmácias um Soroche Pills. Esse precisei tomar quando estava no Uyuni, porque tinha uma dor de cabeça que parecia que ia morrer!

Encerrando…

E por La Paz foi tudo que vi… Logo mais terão mais outros posts contando a continuação da viagem pelo Uyuni e Copacabana. Acompanhe mais por aqui.

Daniela Nogueira

Daniela Nogueira

Sou educadora da rede pública, mas é nas viagens que me realizo. Esse bichinho sempre esteve comigo, mas precisou que um ex namorado o alimentasse e foi com ele que aprendi a “conhecer o mundo”. Como todo pé na bunda te empurra pra frente, foi nessa situação que comecei a viajar sozinha, e nunca mais parei! Hoje já pisei nos cinco continentes e fiz roteiros que antigamente eram impensáveis. Os planos para o futuro? Dominar o mundo!
Daniela Nogueira

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