Outback é a região australiana conhecida como “deserto vermelho”, que cobre boa parte do país. Embora seja uma área bastante extensa, a parte turística é geralmente acessada a partir de Alice Springs.

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Fonte: http://www.dougsrepublic.com/

A partir de Alice Springs partem os passeios guiados que nos levam a um tour pelas principais atrações, numa distância entre 400 e 500 km de percurso inicial.

Quanto tempo dura o tour?

Os tours duram 3 dias (contando o dia de saída e do retorno, mas existem pacotes de menos dias) e saímos em pequenos ônibus que transportam aproximadamente 20 pessoas. Anexo ao ônibus vai uma pequena carreta com todos os suprimentos e bagagens que vamos usar no período.

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Dica: preferencialmente leve só o básico e deixe sua grande bagagem guardada no hotel base de Alice Springs

Quanto custa e o que está incluso?

Em janeiro de 2015 paguei AUD$ 375 com direito ao básico (transporte e guia), acomodação no estilo camping (o mais barato), taxa de entrada do parque, sacos de dormir e roupa de cama, uso dos banheiros / chuveiros no camping e todas as refeições.

Existem agências que realizam passeios com acomodações em quartos, mas a viagem já estava saindo cara demais para me dar esse luxo! rs

Fechei o passeio com a Emu Run Tours e só tenho elogios! Na ocasião eles eram também das agências mais baratas para o tipo de passeio.

Como é dormir no camping no deserto?

O camping lá é um esquema profissional! rs

Cada empresa, dentro da área dos campings (que são enormes) tem sua própria área, identificada e composta por um (ou dois) galpão que fica fechado com os suprimentos necessários ali dentro (pia, fogão, energia elétrica, mesas e etc).

Na primeira noite o camping tinha esse galpão que funcionava como cozinha / refeitório e espaço para armazenamento de nossa bagagem e na pernoite, dormimos ao relento, dentro de sacos de dormir chamados “swag” onde dentro vai um colchão. Dentro desse swag ia o lençol forrando o colchão, o saco de dormir e o travesseiro (tudo fornecido pela empresa). Dormir ao relento foi uma experiência bem interessante, embora precise confessar que tenha ficado super tensa em pensar que algum inseto graúdo (como pequenos besouros que tem aos montes) pudesse entrar dentro do meu saco. Para evitar que algum bicho entrasse nos meus ouvidos, nariz ou boca, dormi com a redinha que usávamos durante o dia para nos proteger das moscas (virá mais para frente esse relato com foto). Fora isso o céu estrelado era incrível e dormi super bem!

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O galpão do primeiro camping

Na segunda noite o camping tinha igualmente esse galpão e barracas como tendas já montadas. Dentro dessas tendas, camas de camping onde acondicionamos nossos sacos de dormir. Fazia tanto calor dentro dessa barraca que senti saudades de dormir ao relento.

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A área do segundo camping com as tendas

Ambos campings tinham piscina e banheiros com chuveiro quente em quantidade suficiente para atender a todos sem qualquer transtorno.

Como foi a alimentação?

O tour tinha todas as refeições incluídas. Confesso que me surpreendi muito com a qualidade e variedade de tudo que comemos:

1° dia: um desjejum com biscoito salgado, queijo e bolo individual servidos no ônibus (saímos de Alice Springs às 6h).

Almoço frio numa das paradas à base de sanduíche com presunto/queijo/alface e tomate, barrinha de cereal e fruta. Durante a tarde tivemos um pequeno lanche com melancia e bolo e no pôr do sol tivemos espumante, suco de laranja, salgadinhos e patês para acompanhar.

O jantar, preparado no galpão / cozinha, foi noodles com legumes e frango grelhado.

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Jantar da primeira noite: noodles com legumes e frango grelhado

2° dia: desjejum fora do acampamento enquanto víamos o sol nascer com leite, café, chá, achocolatado, cereal, mel, pão, geleia, manteiga, creme de amendoim. Tudo preparado ali na hora. Antes do almoço tivemos um lanche de biscoito e frutas durante o percurso.

Almoço: pão tipo folha, carne moída, queijo e saladas de folhas / tomates e pimentões para recheio.

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Almoço do segundo dia: pão folha, carne e salada no recheio

Jantar: churrasco de carne bovina, carne de canguru (eu comi e era bom!!!), salsicha, saladas diversas (incluindo salada de macarrão), purê de batata feito na fogueira e pão assado na fogueira. Depois ainda rolou marshmallow nos gravetos.

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Mesa do jantar da segunda noite, com churrasco

3° dia: desjejum no mesmo esquema do segundo dia, fora do camping e vendo o sol nascer. Tivemos lanche na trilha antes do almoço.

Almoço foi hambúrguer (sanduíche) com carne bovina e de camelo (eu também comi e era bom!!!).

Detalhe: as bebidas são à parte, mas sem valor abusivo. As cervejas (geladas, claro!) custavam AUD$ 3 com o guia enquanto nos demais lugares que estive, a média era AUD$ 8!!!

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Cerveja com preço amigável = assistir ao pôr do sol driblando o calor.
Por que se diz “colaborativo”?

Durante todo o tour, o nosso guia é a única pessoa da empresa que nos acompanha. Ele é o responsável por dirigir todas as centenas de quilômetros, nos guiar na trilha, fornecer todas as informações que são pertinentes ao passeio (incluindo as geológicas e culturais) e organizar quase tudo.

Quase tudo? Sim!

Como falei, o esquema deles é profissional e tudo é muito bem organizado, mas ao chegarmos no camping, o guia diz o que tem que fazer e o grupo sozinho vai se organizando para as demandas do momento.

Por exemplo, no segundo dia, enquanto uma turma lavava e organizava a louça que veio suja do café da manhã que tomamos fora do galpão, outros higienizavam as verduras, outros picavam os legumes, outro preparava a comida e outros arrumavam os sacos de dormir que precisavam ser guardados.

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Quer comer? Então vai preparar a comida!

Na segunda noite, o dia do churrasco, que foi um jantar mais “elaborado”, o guia ensinou a receita do pão, mas quem literalmente pôs a mão na massa não foi ele, e sim os turistas. Outros cuidaram da chapa para preparar as carnes e por aí foi.

Ah, e nessa segunda noite, quando tivemos o churrasco, teve fogueira. E a lenha da fogueira? Todos desceram do carro numa parada no caminho e se embrenharam no terreno para colher os gravetos de tamanhos variados.

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Todos recolhendo lenha para a fogueira

Isso tudo funcionava? Sim e muito bem! (pelo menos com meu grupo houve um total entrosamento)

Quais os pontos turísticos foram visitados?
Uluru

Esse é o primeiro ponto turístico que visitamos, e só chegamos nele na parte da tarde. Até esse momento fomos fazendo diversas paradas no caminho, tanto para uso de banheiro quanto para alimentação (sorvetes, bebidas e etc).

Antes de chegarmos ao Uluru em si, visitamos o Centro Cultural Aborígene que tem no local. Existem banners, vídeos e bastante informação sobre a cultura. Existe também uma parte com venda de artesanato, mas tudo era caríssimo!!!

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Uluru: um gigante monolito!

Uluru, “símbolo do Outback” é visitado na tarde do primeiro dia. É um grande monolito (o segundo maior do planeta) e é considerado um local sagrado para os aborígenes. Seu diâmetro totaliza cerca de 8 km e de início pensei que nossa caminhada faria todo seu contorno. Porém, alguns trechos não dão acesso a pedestres e no fim, andamos bem pouco por sua base, que tem alguns pontos de água (tinha chovido) e algumas cavernas, consideradas sagradas.

Depois da visitação da base, saímos até um deck onde avistamos a atração na sua totalidade. Logo após, vamos ao “sunset point” onde brindamos ao espetáculo e encerramos o passeio!

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Linda mesa, né? Mas não era a nossa não! Nós brindamos com copo de plástico e nossa mesa foi a geladeira de isopor. Mas valeu a pena! rs
The Olgas
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Logo após o nascer do sol, as Olgas

As “Olgas” são a segunda principal atração da região e tal como Uluru, são grandes monolitos (só que em menor proporção) com forma arredondas. A cadeia de “esferas” forma vales e foi por um desses vales que caminhamos.

O “Vale dos Ventos” rende uma caminhada de, aproximadamente, 3 horas em terreno acidentado. É lindo o percurso e o bom é que, fazendo jus ao nome, venta bastante e alivia bem o calor.

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Percurso acidentado do Vale dos Ventos
Kings Canyon

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Não é o atrativo principal, mas para mim foi o melhor! Achei o lugar incrível!

Uma beleza singular, formações rochosas lindas, o vale onde se forma o Jardim do Éden  contrasta com a aridez das rochas e o percurso todo é muito lindo!

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Jardim do Éden

São 6 km entre subidas e descidas, pois atravessamos o cânion (não na sua totalidade, óbvio!). A beleza é tanta que a gente não sente o cansaço (e olha que fiz essa travessia de pé torcido!).

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Dada as enormes distâncias entre um local e outro, somente é feita uma atração por dia. Ao fim da visitação do Kings Canyon, “encerramos” o tour.

O que não foi bacana?

O que não é legal é a presença de insetos. A região é famosa pela quantidade de moscas (não lembro o número, mas são bilhões) e isso gera um pouco de incômodo.

Como já tinha lido antes sobre isso e conhecia uma pessoa que já tinha feito o passeio, fui alertada sobre a “tela” para proteger o rosto. E assim, já cheguei lá equipada, sem precisar comprar no local. Foi com essa redinha que eu dormi as duas noites, morrendo de medo de um inseto entrar na minha boca, nariz ou ouvido.

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Acessório imprescindível para quem quer poder sorrir e falar sem correr o risco de comer mosca

Como o clima é muito seco, as moscas procuram os lugares úmidos do corpo (mucosas como nariz, boca e olhos) ou camisetas suadas.

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Até que eram “poucas” moscas pousadas na camiseta da colega

Além das moscas, outros insetos voadores noturnos me deixaram “um pouco desconfortável”. Mas nada que estragasse o clima.

Qual o ponto alto da viagem?

Eu comentei com diversas pessoas, à época do meu retorno, que a viagem valeu não só pelas paisagens, mas pela experiência.

O convívio na pequena Torre de Babel de pessoas desconhecidas, dos mais diversos países (EUA, Dinamarca, Eslovênia, Rússia, França, Suíça, China, Japão, Coreia e nós, do Brasil), se ajudando nas tarefas cotidianas e rindo de tudo, foi muito enriquecedor!

Além disso, o guia que tivemos enriqueceu muito nossa experiência: além da competência técnica e da beleza (eita homem bonito!), ele era “viciado” em música e estava sempre com seu Ipod e pequena caixa de som marcando nossos dias com trilha sonora.

Para mim três momentos ficaram muito gravados na memória: o primeiro despertar que tivemos, da noite que dormimos ao relento. Era madrugada, o céu ainda estava escuro e estrelado, e ele nos acordou ao som de Here Comes The Sun. Até hoje consigo lembrar de como foi especial isso. Nem deu para reclamar que era cedo demais!

Na mesma manhã, seguimos para as Olgas, e paramos para ver o nascer do sol no caminho. No meio do deserto, o sol apontando no horizonte e a música tema do filme Rei Leão ao fundo. Parecia que o Simba ia aparecer! Arrepio até hoje só de lembrar!

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Um amanhecer de arrepiar!

E por último, no dia do Kings Canyon, tínhamos uma baita subida, super íngrime logo no começo do percurso. A trilha sonora não poderia ser mais “incentivadora” do que a do filme do Rock Balboa. Subimos no ritmo!

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Inclinação para ninguém botar defeito!

Outra passagem delícia foi logo na primeira parada saindo de Alice Springs, onde no local existiam alguns cangurus e nós ficamos bem pertinho (apesar da tela) e consegui dar até comida na boca de um deles!

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Momento fofura! <3
O que você precisa saber

Existe a recomendação de que cada passageiro leve consigo 3 litros de água para o primeiro momento do tour. Nos demais dias conseguimos ir enchendo a garrafa no reservatório que o carro leva e fica tudo bem.

A combinação de alta temperatura, clima seco e alta incidência de raios solares favorece muito a rápida desidratação. Então, mesmo sem sentir sede, beba água!

Os percursos todos tem horário máximo para serem iniciados (todos bem cedo) e após determinado horário a trilha fica fechada para que não haja qualquer perigo, para quem estiver atravessando a região, de desidratar e cair por lá. Ao início de cada trilha também existe a indicação de qual a previsão da temperatura do dia, para que ninguém fique desprevenido!

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Todas as informações do percurso com a temperatura do dia

Outro detalhe importante: se você é daquelas pessoas que ficam de péssimo humor ao acordar cedo, repense se vale a pena investir tempo e dinheiro nesse tour. Os dois dias acordamos às 4h, com o céu ainda escuro e estrelado. Mas as paisagens são tão lindas que nem dava para pensar em reclamar e o sono logo era mandado embora.

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E eu aqui escrevendo sobre isso e morrendo de saudades de todo “desconforto”…

Se eu voltaria? Claro que sim!  😀

Daniela Nogueira

Daniela Nogueira

Sou educadora da rede pública, mas é nas viagens que me realizo. Esse bichinho sempre esteve comigo, mas precisou que um ex namorado o alimentasse e foi com ele que aprendi a “conhecer o mundo”. Como todo pé na bunda te empurra pra frente, foi nessa situação que comecei a viajar sozinha, e nunca mais parei! Hoje já pisei nos cinco continentes e fiz roteiros que antigamente eram impensáveis. Os planos para o futuro? Dominar o mundo!
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