Que as mulheres estão caindo na estrada cada vez mais, isso todos nós sabemos. São grupos de discussão online, livros, histórias sendo contadas todos os dias. E que delícia poder acompanhar isso, é inspirador!

Hoje, para inspirar ainda mais, trouxemos algumas histórias de mulheres que cruzaram o mundo, muito antes da gente pensar em existir. Acha difícil viajar sozinha hoje, com a ajuda imediata da internet? İmagina como era em 1890! Além da falta do Google (como viver sem ele?), todo o preconceito e os julgamentos a que foram submetidas. Desistiram, foram intimidadas? Não! A constatação de que basta querer para realizar.

Com vocês, 5 musas inspiradoras! E eu queria ser amiga de todas elas 🙂

Annie Londonderry, deu a volta ao mundo de bicicleta em 1895

A primeira volta ao mundo de bicicleta foi concluída em 1885, por um homem. Reza a lenda que durante uma discussão acalorada num bar, dois homens apostaram que mulher nenhuma seria capaz desse feito. Apostaram porque não conheciam Annie Cohen Kopchovsky, americana de origem judia, mãe de 3 filhos. No dia 25 de Junho de 1854, tendo aprendido a andar de bicicleta apenas alguns dias antes, ela despediu-se em busca de realizar o feito.

E assim o fez, depois de 15 meses percorrendo o mundo e passando por lugares como  Egito, China, e Japão. Foi pioneira no marketing publicitário, usando o pouco espaço da sua bicicleta para divulgar produtos e fazendo palestras para se manter na estrada. O livro Around the World on two wheels conta a sua trajetória em detalhes. Infelizmente não achei o livro em português.

Saiba mais sobre Annie em http://www.annielondonderry.com/

Gertrude Bell, a mulher que criou o İraque

A britânica, nascida em 1868, foi arqueológa, escritora, voluntária, e principalmente uma viajante. Tornou-se diplomata e espiã nos anos 20, de alta influência no İmpério Britânico devido ao profundo conhecimento da região que engloba hoje o Oriente Médio, obtido em suas inúmeras viagens a região. Respeitada como poucas mulheres na sua época, foi uma das figuras mais influentes do Oriente Médio no início do século 20, sendo considerada mais importante ali do que o lendário Lawrence da Arábia, de acordo com reportagem do New York Times.

O seu grande feito foi ter sido uma das responsáveis pela estabilização e criação do İraque, unindo as diferentes tribos e etnias na consolidação de um novo país, após a queda do İmpério Otomano, e criando a dinastia de reis que viria a governar o novo país.

Gertude Bell as primeiras viajantes
Gertrude Bell no Iraque em 1909.
Imagem: Wikipedia

Gertrude Bell morreu em Bagdá, em 1926, e ainda hoje ela é chamada carinhosamente, no Iraque, de “Miss Bell”.

Freya Stark, primeira mulher a explorar sozinha partes do mundo árabe

A francesa, nascida em 1893, teve a sua vida definida por um presente que recebeu aos nove anos, um exemplar do livro Mil e Uma Noites, presente do seu pai. İnspirada pela história, ainda criança aprendeu idiomas como o árabe, latim e o turco. Sua primeira viagem ao oriente aconteceu aos 34 anos e Beirute foi a primeira parada, para trabalhar como enfermeira durante a Primeira Guerra. Na sequência vieram viagens para o İraque, İrã, tendo sido a primeira ocidental a cruzar as trilhas mais perigosas do país, e passou a relatar suas histórias em livros. Os próximos destinos foram a Arábia Saúdita, o İêmen, Síria, Turquia até a sua última grande jornada que foi o Afeganistão, nos anos 70. Foram mais de 25 livros publicados, num estilo bem peculiar e nada pretensioso de escrita, e alguns tornaram-se clássicos consagrados como The Valleys of the Assassins (1934) and The Southern Gates of Arabia (1936). Também não achei nenhuma versão dos seus livros em português (alô, editores!).

Maureen Wheeler, a co fundadora do Lonely Planet

A mais atual entre as mulheres relatadas aqui, mas não menos importante. Em 1972, Maureen partiu de Londres juntamente com o marido Tom, para uma roadtrip em direção a Austrália. A ideia era desfrutar de um período sabático de um ano. Quando voltaram, estavam maravilhados, porém falidos e cercados de perguntas sobre a jornada que tinham realizado. Resolveram então escrever um livro,  “Across Asia on the Cheap”, que foi um tremendo sucesso e o começo do império dos guias de viagem. A prova de que uma única viagem pode mudar completamente a sua vida.

Maureen continua viajando e escrevendo diversas publicaçãoes.

 Nellie Bly, completou a volta ao mundo sozinha, em 72 dias

Nascida em 1864 como Elizabeth Jane Cochran, a jornalista foi sempre conhecida pela personalidade forte. Começou sua carreira com uma carta escrita ao jornal Pittsburgh Dispatch, contestando um artigo machista. O seu estilo de escrita agradou o proprietário que contratou-a. Destacou-se no mundo literário com uma matéria sobre os abusos e os tratamentos brutais utilizados em manicômios, matéria para a qual precisou fingir-se de louca e sofrer os abusos na pele nos 10 dias em que esteve internada.

Usando da popularidade adquirida, conseguiu convencer o jornal a deixá-la realizar a tão sonhada volta o mundo, num intervalo mais curto que a recém realizada por Júlio Verne, de 80 dias.

A sua volta ao mundo foi realizada em 72 dias, terminando em janeiro de 1890. E o novo recorde mundial foi batido com um detalhe, ela foi a primeira mulher a realizar o feito sozinha.

Nellie Bly as primeiras viajantes
Imagem: Wikipedia

E você? Ainda acha difícil sair pelo mundo? Inspire-se e lembre-se que a maioria das dificuldades somos nós que criamos.

Karina Ferraz

Karina Ferraz

Nasci no Rio de Janeiro, quis ser aeromoça, mas escolhi a arquitetura, paixão que me fez querer ver o mundo. Mundo esse que me levou até a Turquia, que resolvi chamar de casa e onde vivo há 3 anos. A arquitetura entrou de férias, surgiu a agente de viagens, que vive de organizar viagens para os outros e principalmente, para si mesma. Afinal, morar no centro do mundo faz tudo parecer mais perto.
Karina Ferraz

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